É necessário um mergulho no universo do absurdo para melhor entendimento da lorota cósmica. Um passeio no surrealismo vai bem nesta hora. Então, vamos embarcar numa fantasiosa viagem na maionese. Confira o ponto inicial da narrativa bizarra. O mistério começou em 1º de julho de 2025. Neste dia, o telescópio chileno “Asteroid Terrestrial- Impact Last Alert System” (ATLAS) deu de cara com esquisitíssimo objeto vagando pelos cosmos. Súbito, o desconhecido tomou a direção do Sistema Solar. O enigmático visitante recebeu o nome 3I/Atlas. Trata-se do terceiro personagem interestelar identificado.
E tome estranheza. O tal “qualquer coisa” voa na incrível velocidade de 221000 km/h (ou 61km/s). Uma rapidez inimaginável para nós outros, meros mortais comuns. Este é o limiar de um conto muito maluco. A NASA garante que estamos diante de simples cometa. Como se vê, um andarilho das profundezas da Via Láctea invadiu “o nosso terreiro”. O inconveniente veio dos confins da imensidão. E o mais incrível. A maratona do “dito cujo” começou há milhões de anos. No início desta longa caminhada, o espécime humano ainda nem existia no planeta Terra. Um espanto. O misterioso corpo celeste teria se formado na constelação de Sagitário, que se localiza a infinita distância do nosso conjunto planetário. No momento, o “trem” se encontra a 270 milhões de km. Bem pertinho de Itabira.
Agora, registra-se aqui uma circunstância de tirar o sono. O 3I/ Atlas não tem comportamento de um rabudo convencional. Pelo contrário. O “sujeito” fez manobras estranhas durante a sua trajetória. Já desacelerou e mudou de direção em duas oportunidades. Isto não é atitude de cometa. E o estarrecedor. Em algumas ocasiões, o seu brilho aumentou de intensidade. Num determinado instante, a coma (cauda) desapareceu. E um detalhe alimenta as teorias de conspiração. A agência espacial norte-americana conserva silêncio constrangedor sobre o fenômeno. Poucas fotografias foram divulgadas. E, para piorar. Na semana atrasada, foi acionado o protocolo contra ameaças espaciais. Esta medida só ocorre quando é detectado algo, no espaço, de elevado risco para o mundo.
E, depois de tanta conversa fiada, chegamos a este ponto. Vamos dar um cavalo de pau na lengalenga. A abrupta mudança de assunto vem com letal pergunta ou retórico tiro à queima-roupa: e se o 3I Atlas for uma nave de 5 km de diâmetro com uma centena de ETs em seu interior? O que fazer diante de cenário tão perturbador? Sinceramente, melhor começar a rezar. Neste caso, só resta torcer pelas boas intenções dos seres estranhos. Do contrário, estaremos literalmente ferrados. Aproveite e detone o seu cartão de crédito, conforme aconselha o geofísico Sergio Sacani. A encrenca seria de mato sem cachorro. Os caras viajaram muito tempo (provavelmente são imortais). Encontram-se bastante longe de casa. Apresentam um desenvolvimento científico muito superior ao dos terráqueos. Na verdade, no ponto de vista deles, a humanidade ainda estaria na idade da pedra lascada. Na certa, os cosmonautas do além sofrerão uma crise estomacal quando presenciarem os nossos banquetes com carnes de bois, porcos, galinhas, peixes, pacas e outros animais. É muito atraso espiritual para tão diminuto asteroide. Somos devoradores de indefesos irracionais.
Esta paisagem tem muita semelhança com o aparecimento dos navegantes europeus nas Américas, no século XV. Na ocasião, os índios brasileiros comiam os inimigos literalmente. Mas, com o tempo, a presença dos gringos da Península Ibérica virou uma tragédia. Os “conquistadores” eram especialistas em genocídio. Em nome da avareza e religiosidade, massacraram civilizações originárias e aniquilaram a cultura milenar de Incas, Astecas e Maias. O sangue do ameríndio foi a moeda de troca do descobrimento (ou “achamento”).
Vamos torcer para que os corações dos alienígenas estejam repletos de amor para dar. De minha parte, tenho imensa expectativa. Aguardo ansiosamente pelo primeiro pronunciamento do comandante do disco voador para os líderes religiosos de “Gaia”. Pausadamente, o chefe da turma abrirá a boca e anunciará: “desculpem-me, mas lamento informar que o deu$ dos senhores não é Deus”. E o mundo nunca mais será como antes foi.
PS: Não se preocupe. Não entre em pânico. Na realidade, o 3I/Atlas é apenas um cometa. Nada mais que isso. Não será desta vez que os colombos siderais chegarão até nós. Pode continuar orando para o seu deu$.
Sobre o colunista
Fernando Silva é jornalista e escreve sobre política em DeFato Online.
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