“É uma ofensa”, diz presidente da AMM sobre proposta de extinção de pequenos municípios

Juvlan Lacerda participou nessa terça-feira (3) de mobilização em Brasília coordenada pela Confederação Nacional de Municípios (CNM)

“É uma ofensa”, diz presidente da AMM sobre proposta de extinção de pequenos municípios
Presidente da AMM, Juvlan Lacerda, critica PEC que propõe extinção de municípios – Foto: Divulgação

O presidente da Associação Mineira dos Municípios (ANM), Juvlan Lacerda, reafirmou, nessa terça-feira (3), seu posicionamento contrário à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa a extinção de pequenas cidades em todo Brasil. Durante participação em evento chamado de Mobilização Municipalista, em Brasília, o prefeito de Moema, no interior de Minas Gerais, chamou de “ofensa” a reforma encaminhada pelo Governo Federal ao Congresso e disse que os chefes de Executivo dos locais que seriam afetados “não vão admitir” a mudança.

“Os pequenos municípios estão sofrendo uma ofensa com o projeto de lei do Governo Federal que propõe a extinção de mais de mil municípios pelo país afora. Em Minas Gerais, são 231 municípios. Municípios que já têm uma sensação de pertencimento, onde as pessoas recebem o serviço público e que, na maioria das vezes, é a única presença efetiva do estado, do dinheiro publico que chega lá é pela prefeitura. Nós não vamos admitir. Não é por aí”, criticou.

No evento em Brasília, prefeitos de municípios com menos de cinco mil habitantes e representantes das associações estaduais lotaram o auditório Petrônio Portela, do Senado Federal, e se manifestaram contrários à proposta do governo federal. Na região de Itabira, seriam afetadas cidades como Itambé do Mato Dentro e Passabém.

Conforme argumenta Julvan, é sabido que ajustes precisam ser feitos, aprimorando a gestão pública para que se tenha mais eficiência, mas que existem outras áreas onde podem haver resultados mais efetivos e justos. “Vamos começar a fazer ajustes então daqui, das regalias de Brasília, da corrupção que tem aqui, dos penduricalhos e exageros que existem. Mais de R$10 bilhões de reais por ano só no Congresso Nacional, sem falar nos outros poderes. Com esse tanto de desperdício, vem querer falar em extinguir municípios?”, questionou.

Na ocasião, o presidente da CNM, Glademir Aroldi, destacou o estudo divulgado pela entidade com dados inéditos dos efeitos da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 188/2019, no que diz respeito à extinção de municípios. “Serão 1.820 municípios impactados, que têm 33 milhões de habitantes. A arrecadação de FPM [Fundo de Participação dos Municípios] nesses locais, atualmente, é de R$ 25 bilhões por ano. Se houver fusão, eles vão ficar com arrecadação de apenas R$ 18 bilhões e não terão condição de continuar prestando os mesmos serviços”, lamentou.

Segundo Aroldi, os argumentos devem ser apresentados e amplamente discutidos não só no Parlamento, como também com a sociedade civil e o Governo Federal. “O estudo que fizemos e estamos entregando aos senadores hoje mostra que o gasto com estrutura administrativa, cargo no Executivo, secretários, servidores, Câmara de Vereadores, é de R$ 80 bilhões. E só 5% desse valor vai para os municípios que correm risco de extinção”, comparou.

A PEC

A PEC 188/2019 propõe a extinção dos municípios de até cinco mil habitantes que não atingirem, em 2023, o limite de 10% dos impostos municipais sobre sua receita total – critério fiscal questionado pelo presidente da CNM. “Eles chamam equivocadamente de receita própria. Tratar como receita própria apenas ITBI [Impostos de Transmissão de Bens Imóveis], IPTU [Imposto Predial e Territorial Urbano] e ISS [Imposto Sobre Serviços], que aliás está concentrado em alguns Municípios do país, é um erro”.

O presidente da CNM defende que o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e o Imposto de Renda (IR), considerados federais, “não acontecem na União, acontecem em cada município do Brasil”. “É lá que as empresas industrializam o produto, geram emprego, renda e possibilitam o recolhimento dos impostos. Tanto pessoa jurídica quanto física”, completou. Mesmo entendimento vale para o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), arrecadado pelo Estado, mas distribuído aos Entes municipais por cota parte – seguindo modelo federativo instituído pela Constituição.

Para finalizar a apresentação da PEC, Aroldi lembrou da história e do potencial dessas localidades. “Tem municípios que foram criados há cem, 70, 40 anos. Se voltarmos para distrito, o patrimônio da população vai diminuir. Sem contar o prejuízo de investimentos de médio e pequeno porte que já está acontecendo. Empresário e investidor estão aguardando decisão se a cidade é extinta ou não para investir”, alertou.

Mobilização em Minas 

Assim como em outros estados do país, a AMM promoveu, no dia 26 de novembro, mobilização estadual contra a proposta do governo federal, reunindo 500 pessoas, entre prefeitos, vices e vereadores na sede do CREA-MG, em Belo Horizonte. Estiveram presentes e declararam apoio os deputados federais: Newton Cardoso Jr. e Igor Timo; e os deputados estaduais: Fernando Pacheco, Gustavo Valadares, Bôsco, Rosângela Reis, Antonio Carlos Arantes, Carlos Pimenta, Cleiton Oliveira, Heli Grilo. A mobilização também contou com o apoio declarado dos três senadores mineiros. Em vídeo apresentado na reunião, os senadores Antonio Anastasia e Rodrigo Pacheco reforçaram a sua posição contrária ao projeto.