“Ele está nos braços do Senhor”, diz mãe de adolescente assassinado

No sábado, um dia antes do crime, Marcos Júlio almoçou no restaurante Toca do Tigre, onde trabalhava esporadicamente

“Ele está nos braços do Senhor”, diz mãe de adolescente assassinado

“Deus acolheu. Ele está agora nos braços do Senhor. Não tenho muito mais o que falar”. Estas foram as poucas e emocionadas palavras da dona de casa Magali Moreira Júlia, de 57 anos, mãe do adolescente Marcos Júlio Ventura, que faria 16 anos no próximo dia 5 de julho. Ele foi morto por outro adolescente da mesma idade, com um tiro na cabeça, na madrugada do último domingo, dia 3, a dois quarteirões de sua casa.  

A trágica e absurda execução do alegre “Manguinha”, como era conhecido entre amigos e colegas do depósito onde prestava serviços, ainda não foi bem assimilada por todos que conviviam com o adolescente. A mãe, Magali Moreira, a irmã de Marcos Júlio, também adolescente com 17 anos, não foram as únicas a se emocionar ao falar sobre Manguinha.

Marcos Júlio vivia com a mãe e a irmã em uma casa simples e que não é da família. O irmão mais velho, Reinaldo Ventura, 27, mora em Nova Era. Por não conseguir mais trabalhar como faxineira, em razão dos problemas de saúde, Magali Moreira cuida atualmente de um vizinho idoso. “É para ajudar no orçamento da casa”, contou ela.

Mesmo com todas as dificuldades e a perda recente do filho caçula, Magali Moreira aceitou conversar com a reportagem da DeFato Online, no início da manhã desta terça-feira, 5, dois dias após o crime. Com um semblante sereno, ela contou um pouco sobre Manguinha.

“Ele sempre foi um menino muito tranquilo, trabalhava, estudava, nunca se envolveu com nada errado, com brigas. Alegre dentro de casa, brincava muito com a irmã. Chamava ela de mocréia e (…)”, parou emocionada.

“No cemitério tinha muita gente, muitos amigos, ele era querido… Deus acolheu. Ele, o meu filho, está agora nos braços do Senhor”, concluiu, com a voz embargada.     

Vendo a emoção da mãe, a irmã de Marcos Júlio continuou a falar do caçula. Ela contou que Manguinha fazia supletivo no Centro Estadual de Educação Continuada Professora Dorinha Ferreira (Cesec), que era um adolescente simples e gostava de fazer qualquer serviço.

“Ele era um garoto humilde, que trabalhava por qualquer quantia. Não tinha tempo ruim. A gente se dava bem. Brigava às vezes, mas era briga de irmão”, disse esboçando um leve sorriso.

Os amigos

Para o comerciante José Geraldo Alves, 46, um dos donos da pastelaria Dois Irmãos, na rua Ipoema – onde Marcos Júlio ocasionalmente trabalhava como entregador – o adolescente tinha “boa vontade” em desempenhar qualquer função.

“Um menino excelente. Calmo, educado e trabalhador. Vendia os pastéis e trazia direitinho o dinheiro. Tudo que pedíamos, ele fazia com boa vontade. Difícil não ter coisas boas para falar sobre ele”, afirmou o comerciante.

No depósito de bebidas do Helton, onde trabalhava aos sábados, a opinião dos colegas sobre o carisma de Marcos Júlio foi unânime. “Todos tínhamos um carinho grande por ele. Sempre alegre e brincalhão. Tenho uma filha da idade dele e o via como um filho também”, contou a gerente Vilma Lage.

Marcos Júlio trabalhava ainda, embora esporadicamente, como entregador no restaurante Toca do Tigre, no Pará.

“Eu o adotei. Ele almoçava sempre aqui. Não tenho condição de falar sobre ele agora”, respondeu visivelmente emocionado o proprietário do restaurante, Joaquim Edson Duarte “Edinho”.

O assassino

De acordo com informações da Polícia Civil, o menor de 15 anos, que disparou e matou o adolescente Marcos Júlio continua sob custódia da justiça e foi apresentado, na manhã desta terça-feira, à Promotoria de Justiça.

“Ele está acautelado e amanhã será apresentado novamente à promotora. Ele (o adolescente) está aguardando uma vaga para ser encaminhado a um dos órgãos de recuperação de menor infrator”, disse um investigador.