Em Itabira até o ano passado, promotor agora enfrenta desafios na tragédia de Mariana
Guilherme Meneghin está no centro da maior tragédia ambiental da história de Minas Gerais
Um distrito completamente destruído, pessoas mortas, gente desparecida e famílias inteiras desabrigadas. Destruição. Devastação do meio ambiente e várias cidades afetadas diariamente. A tragédia de Bento Rodrigues, em Mariana, passou de uma semana e os resultados do rompimento das barragens da mineradora Samarco – controlada pela Vale e pela BHB Billiton – ainda são inestimáveis. Muito trabalho para o promotor Guilherme de Sá Meneghin. Até o ano passado ele estava em Itabira, mas agora está no centro do maior desastre ambiental da história de Minas Gerais.
Guilherme foi delegado em Itabira entre 2008 e 2009. Deixou a função na Polícia Civil e foi ser representante do Ministério Público. Retornou à terra de Drummond em 2013, já como promotor, e ficou até 2014. “Guardei bons amigos da minha passagem por Itabira”, comenta.
Em Mariana, os dias não estão sendo fáceis. Desde que chegou à cidade histórica, já viu um prefeito ser cassado e agora tem de lidar com essa tragédia. “Aqui não é fácil. Cheguei no ano passado, já pegando fogo. Achei que este ano iria tranquilizar e acontece isso”, diz o promotor.
Guilherme Meneghin é responsável pela promotoria de crimes, execuções penais e direitos humanos. Na tragédia de Bento Rodrigues, ele atua para garantir os direitos dos atingidos pela lama da mineração. “A gente quer que a empresa mantenha essas pessoas com um salário mensal e com uma casa. Queremos que a empresa se responsabilize por tudo e que futuramente reconstrua todas essas vilas. Não no local que foi arrasado, mas que permita que as pessoas possam retomar as suas vidas”, afirma.
O episódio vivenciado em Mariana é extraordinário, maior que tudo que já enfrentou na carreira no Direito. Guilherme, no entanto, não tem dúvidas de que é capaz de lidar com o caso. “Com certeza é um momento que eu não esperava. Isso é muito complicado, porque apesar de eu ter sido delegado, eu tinha uma atuação mais punitiva, não na área de defesa de direitos. Apesar de essa ser a minha área, nunca tinha pegado algo assim. É um desafio, mas eu me considero preparado, até mesmo por ter sido delegado, por ter sido oficial de Justiça. Você tem uma experiência em lidar com o povo e buscar responsabilidades. Muda um pouco o foco, porque a minha principal finalidade não é punir, mas sim buscar que a empresa faça realmente tudo o que for necessário para atender os direitos dessas vítimas”, analisa.
A tragédia de Mariana, até este sábado, 14 de novembro, contabiliza sete mortos confirmados. Dois corpos ainda aguardam identificação. Ao todo, são mais 18 desaparecidos, sendo nove funcionários e nove moradores. Segundo o promotor Guilherme Meneghin, 631 pessoas perderam as casas e estão em hotéis bancados pela Samarco.