Em Itabira, PT e PSDB buscam forças para disputar eleições municipais
Jackson Tavares foi um dos principais articuladores da união entre Roberto Chaves e Alexandre Banana em Itabira. As duas siglas, no entanto, não devem se unir novamente
As eleições presidenciais foram marcadas por uma disputa ferrenha entre PT e PSDB, as legendas mais antagônicas do Brasil. A briga foi mais forte no segundo turno, quando Dilma Rousseff e Aécio Neves travaram debates ferozes e tiveram o respaldo de militantes por todo país. Em Itabira, no entanto, a disputa não foi tão quente. Apenas na semana anterior ao dia da votação derradeira é que ruas mais movimentas da cidade ganharam as cores vermelho e azul. Mesmo assim, de maneira contida.
A explicação para o clima pacífico pode estar no passado das duas siglas em Itabira. Na terra de Drummond, PT e PSDB são aliados antigos, desde a administração do petista Jackson Alberto de Pinho Tavares (1997-2000). Naquela época, Roberto Chaves (PSDB), então vereador, era líder do governo na Câmara. Nas últimas eleições, os dois partidos formaram uma chapa para disputar a Prefeitura de Itabira, com Roberto e Alexandre Banana (PT).
Nas próximas eleições a união não deve se repetir. Hoje, passados dois anos da última disputa municipal, o ex-prefeito Jackson Alberto de Pinho Tavares – um dos principais articuladores da parceria – avalia a dobradinha como um erro. “Na época era o que dava para fazer. O PT e o PSDB sempre tiveram bom relacionamento em Itabira e nas últimas eleições precisaram se unir para não ficarem de fora da disputa. Dois anos depois, se a gente for analisar os impactos, podemos concluir que foi um erro”, analisou.
Pelo lado tucano, o presidente do partido, Roberto Chaves, vê nas eleições de 2014 um aprendizado. “Na política às vezes se perde, às vezes se ganha, mas nunca podemos desanimar. Para o PSDB de Itabira, é um momento de reflexão”, afirmou. De olho no próximo pleito, o político pensa em revitalizar a sigla. “Nós queremos convidar lideranças já consolidadas no nosso município, mas buscar também novas lideranças, renovar o partido e reestruturá-lo. E, consequentemente, nos preparar para as próximas eleições”, completou.
Os petistas também pensam na disputa municipal. Para chegar em condições de vitória, Jackson espera que a legenda esteja reestruturada. “Nas últimas eleições o PT estava em situação crítica. Perdemos lideranças importantes, que acabaram se elegendo vereadores, como Bernardo Mucida e Ronaldo Capoeira, e a união com o PSDB foi o que restou. Agora, estamos nos reestruturando e recebendo novas pessoas. O PT sempre foi importante na política municipal e tenho certeza que não será diferente na próxima disputa”, disse.