Em meio à pandemia, artistas e entidades itabiranas se reinventam e aderem às tendências do momento
Lives musicais e serviços de delivery passaram a ser essenciais para manter vivas as atividades nos setores da indústria criativa

O setor cultural é um dos mais afetados pela pandemia provocada pela Covid-19. Bares, casas de shows, museus, teatros, cinemas e espaços públicos culturais foram fechados. Shows, festas, festivais e atividades culturais foram cancelados ou adiados. Importantes eventos do calendário itabirano, como o Festival de Inverno, o Circuito do Sabor e o aniversário do Museu do Tropeiro terão que ser reinventados.
Realizado ininterruptamente há 45 anos, a 46ª edição do Festival de Inverno de Itabira, prevista para acontecer entre os dias 3 e 19 de julho, foi adiada. A decisão foi tomada pela Fundação Carlos Drummond de Andrade (FCCDA), que estuda a realização do evento em um novo formato, on-line, seguindo a tendência das lives.
“A possibilidade de realizá-lo on-line permite que a FCCDA mantenha a marca Festival de Inverno forte, demonstrando que é possível manter esse produto cultural em atividade apesar das adversidades. Além disso, se torna mais um instrumento para que possamos seguir ofertando oportunidades de trabalho aos profissionais da arte”, declarou a superintendente da instituição, Martha Mousinho.
Esse novo formato representa um grande desafio de produção para a FCCDA, pois significa criar e desenvolver um evento de uma maneira que até então não foi feito. “Por isso estamos estudando com cuidado para viabilizarmos a sua realização online”, ponderou.
Limitação X Criatividade
A proibição de atividades com aglomeração de pessoas, tanto para apresentações artísticas quanto para a produção cultural, limitou ou deixou muitos profissionais sem condições de trabalhar. Devido à crise de saúde pública, produtores e artistas precisam ser criativos.
Pensando nisso, a Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade deu prosseguimento ao edital de inscrições no 46º Festival de Inverno de Itabira. Além disso, a instituição vem trabalhando outras soluções para manter a área de cultura ativa.
“Neste momento, temos que ser criativos para criar mecanismos que possam estimular a produção cultural, remunerar o profissional do setor e gerar cultura e entretenimento para a população geral. A internet tem sido uma grande aliada nesse sentido, tanto que as ‘lives’ têm tido destaque. Assim, criamos um cadastramento para os profissionais do setor com o objetivo de contratar junto a eles conteúdo online que possa alimentar as nossa mídias, como o canal no YouTube. Com isso, esperamos criar um mecanismo que possa estimular o setor e levar arte para as pessoas”, frisou a superintendente da FCCDA.
Circuito do Sabor Delivery
O mercado gastronômico também passa por grandes mudanças. Os hábitos dos consumidores também mudaram e acompanham o momento atual. Com o isolamento social, restaurantes que trabalhavam com self-service e atendimento presencial foram forçados a se adaptar e investir no delivery. O mesmo acontece com o Circuito do Sabor, festival gastronômico realizado pela Associação Comercial, Industrial, de Serviços e Agropecuária de Itabira (Acita).
“O evento, que já vai para a 15ª edição, não pode deixar de acontecer. Para isso, a Acita pensou em adaptar o Circuito do Sabor para um formato possível de ser realizado. Com o objetivo de fomentar negócios nos estabelecimentos participantes. O momento atual exige um novo olhar que precisa estar pautado em criatividade, inovação e praticidade”, destacou a presidente da instituição, Maria Aparecida Albuquerque Bueno “Cidinha”.
A proposta, segundo ela, é dinamizar o setor e alavancar vendas nos estabelecimentos, além de mostrar a força e importância do associativismo.
“Pensamos em um Circuito do Sabor com o sistema delivery, com a participação de bares e restaurantes que deverão criar pratos criativos para entrega em domicílio. A votação será on-line, já que o momento não permite a utilização de cédulas de papel e a divulgação em meios digitais (internet, rádio e sites)”, explicou Cidinha.
O novo formato, de acordo com a presidente da Acita, teve uma boa aceitação dos empresários do ramo. E os últimos detalhes para iniciar as inscrições são finalizados. Serão 20 vagas disponíveis, como nas edições anteriores.
Aniversário do Museu do Tropeiro
A pandemia de Covid-19 também causou transtornos ao setor de turismo. Conhecida como a Capital Estadual do Tropeirismo, Itabira preparava uma grande festa para celebrar o 17º aniversário do Museu do Tropeiro, no distrito de Ipoema. A festa aconteceria no final de abril. O espaço cultural, recém-revitalizado, abriga um grande acervo histórico sobre o tropeirismo.
“No ano em que preparávamos a festa que aproxima o museu da sua maioridade, fomos obrigados a adiar as comemorações. Sabemos a importância do museu do Tropeiro para a comunidade ipoemense e itabirana e, porque não dizer mineira. Então, continuamos trabalhando para, quando possível, fazermos uma festa à altura do museu. Por enquanto, temos que nos precaver. Mas estamos em contato permanente com a comunidade desta importante festa, pra quando puder, comemorar juntos e celebrarmos este marco da Estrada Real”, disse o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia, Inovação e Turismo, José Don Carlos Alves Santos.
Artistas itabiranos entram na onda das lives
Em tempos de isolamento social, os shows on-line têm desempenhado um importante papel no entretenimento de quem fica em casa. Desde o início da pandemia, artistas de todo o mundo se apresentam através do YouTube ou das sociais. Em Itabira, a tendência das lives também foi seguida.
O Festival Música e Solidariedade, por exemplo, reuniu diversas lives durante o mês de maio com Carlos Cabeça, Postura, André Lima, Alexandre Araújo, João Victor (banda Eu, Vc e João), Nêgo Massa, Back Ferraz, Yago Rios, Groove Minas, Rivotrio, Trio de Quatro, Rafael Formiga (que fez outras lives em outros projetos), Júlio Mengueles e Bruno Dbrau (vocalista do Rivotrio).
Também fizeram lives: Romário Araújo, Nonoca e banda, Nandy Xavier, Clau Vianna e Thaís, e os grupos “Fina Estampa”; “É o Troca” e “Cê Acredita”?.




