Em quatro semanas, Itabira registra aumento de 200% nos casos de dengue

O número de casos positivos para dengue aumentou cerca de 200% em Itabira nas últimas quatro semanas. Os dados da Secretaria Municipal de Saúde ainda apontam um crescimento de 278% nos casos suspeitos da doença durante o mesmo período. Segundo a Secretária de Saúde, Rosana Linhares, apesar de não haver óbitos na cidade, todas as […]

Em quatro semanas, Itabira registra aumento de 200% nos casos de dengue

O número de casos positivos para dengue aumentou cerca de 200% em Itabira nas últimas quatro semanas. Os dados da Secretaria Municipal de Saúde ainda apontam um crescimento de 278% nos casos suspeitos da doença durante o mesmo período. Segundo a Secretária de Saúde, Rosana Linhares, apesar de não haver óbitos na cidade, todas as atenções do município estão voltadas para o combate à doença.

Em entrevista à DeFato durante a reunião do Conselho Municipal de Saúde, nesta quinta-feira,9, Rosana alertou sobre o crescente número de focos do mosquito em domicílios itabiranos. “85% da causa da dengue em Itabira está dentro das casas. As comunidades urbanas e rurais não estão olhando para os quintais, criadouros do mosquito”, alerta a secretária.

De acordo com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (SMDU), o número de multas para os proprietários de lotes, possíveis focos do mosquito Aedes aegypti , também aumentou. Só este ano, 240 autuações foram feitas a proprietários que não cumpriram as exigências do Código de Posturas Municipais (CPM), que exige dos responsáveis pelos locais a realização de manutenção, capina e recolhimento de lixo. O edital responsável por notificar para a limpeza das áreas particulares é uma ferramenta criada pelo município para auxiliar na fiscalização destes imóveis.

Ações

A força tarefa para eliminar os criadouros do mosquito, que também transmite Zika e Chikungunya, já está sendo desenvolvida. O número de agentes de saúde exclusivos para tratar da dengue em Itabira dobrou. Hoje, 91 agentes de endemia estão nas ruas junto com mais de 200 agentes comunitários, além da participação efetiva das associações de bairro. “Nós temos como propósito ter um olhar conjunto. Vamos trabalhar em unidade com os agentes de saúde e os agentes da dengue”, pontua a secretária.

Uma das principais ações em resposta ao número crescente de dengue na cidade é a aplicação do Ultra Baixo Volume (UBV), trabalho semelhante ao fumacê. Acoplado em veículos que circulam nos bairros com maior incidência de casos notificados, o produto combate às larvas do Aedes aegypti.

Os agentes que fazem o UBV manualmente – com o equipamento acoplado às costas – também têm estado em campo diariamente. O trabalho desta equipe consiste em pulverizar residências onde foram registrados casos suspeitos de doença e as vizinhanças num raio de até 500 metros.“As visitas dos agentes de combate a endemias (ACE) têm sido intensificadas. Aumentamos as equipes de bloqueio quando recebemos notificações onde, conforme preconiza o MS, faz-se um rastreamento no domicílio e peridomicílio da pessoa em um raio de 500 metros. Esta ação visa eliminar os focos, tratar – quando não há possibilidade de eliminar – e aplicação de UBV”, explicou a diretora de Vigilância Epidemiológica, Natália Franco Barbosa de Andrade.

Ainda segundo ela, os ACE têm feito educação em saúde nas escolas para orientar sobre as formas de prevenção e combate ao mosquito. A vigilância predial (visitas de rotina nas casas) também foi reforçada. No entanto, a população também tem obrigação de fazer a sua parte.

Situação grave

Os dados são tão alarmantes em Minas Gerais, que a Secretaria de Estado de Saúde (SES) cancelou a realização do segundo Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti (Liraa). “A sondagem seria realizada nesta semana, entre os dias 6 e 10, mas neste momento de surto optou-se por intensificar o trabalho de todas as equipes. É fato que o vírus está circulando. Então é hora de agir. Não dá para demandar equipes para fazer levantamentos”, disse Natália Andrade. O último Liraa, realizado em janeiro deste ano, apontou um índice médio de infestação de 5,9%.

Na época, a pesquisa aconteceu em 1.718 domicílios. Para a Organização Mundial de Saúde (OMS) os índices inferiores a 1% são considerados satisfatórios; 1% a 3,9% indicam situação de alerta; e índices superiores a 4% representam risco de surto.

“O levantamento é feito por amostragem, por meio de um programa do MS, que sorteia os bairros, quarteirões e imóveis a serem visitados. Quando temos um índice de 100% em um determinado bairro, significa que foram encontrados focos do Aedes aegypti em todas as amostras coletadas”, comentou Natália Andrade então.

A SMS solicita à população que denuncie sobre locais onde há possíveis focos do mosquito por meio do Disque Dengue: 3839-2600.