Em São Gonçalo, moradores reivindicam aumento de efetivo policial e reforço da segurança pública

Audiência pública reuniu diversas autoridades no município de São Gonçalo do Rio Abaixo

Em São Gonçalo, moradores reivindicam aumento de efetivo policial e reforço da segurança pública

Em caráter experimental, a Prefeitura de São Gonçalo do Rio Abaixo deverá disponibilizar, a partir do próximo dia 20 de julho, dois veículos e vigilantes para patrulharem a área central da cidade durante o período noturno. A medida, cita o prefeito da cidade, Antônio Carlos Noronha Bicalho (PDT), é um meio paliativo de enfrentamento ao crescente cenário de roubos e atentados criminosos à cidade do Médio Piracicaba. Caso a iniciativa dê certo, disse, o patrulhamento com vigilantes da prefeitura será estendido à zona rural do município.

O prefeito também se comprometeu a acelerar o processo de implantação do sistema de monitoramento por câmeras de segurança na região central do município e trevos de acesso a São Gonçalo do Rio Abaixo – projeto em elaboração por empresa licitada para o serviço. Essas ações, entre outras, foram alinhadas durante a audiência pública realizada pela Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) no município, na manhã desta terça-feira, 12 de julho. O encontrou foi motivado por explosões de caixas eletrônicos de agências bancárias na cidade e o aumento da violência urbana e rural.

Cobrança de efetivo policial

Marcada para as 9h30 desta terça, no plenário da Câmara de Vereadores de São Gonçalo, a audiência sofreu atrasos. Uma queda de energia fez com que a reunião fosse transferida ao auditório da Escola Integral Maria de Lourdes Duarte Moreira.

A audiência pública ocorreu após requerimento do deputado estadual Raimundo Nonato Barcelos, o “Nozinho” (PDT), e foi presidida pelo deputado João Leite (PSDB). Participaram representantes da Polícia Militar e Civil, Executivo e Legislativo municipal, da Caixa Econômica Federal (alvo dos atentados de criminosos), outras autoridades e a comunidade.

As reivindicações apresentadas cobraram aumento de profissionais e melhorias do aparato das polícias em São Gonçalo. O empresário Tales Lopes Ribeiro, presidente da associação comercial do município, citou que em 2016 o número de assaltos a estabelecimentos locais cresceu 20% em comparação com o ano passado. “No meu depósito fui assaltado duas vezes em um único dia”, lamentou.

O produtor rural João Vitor denunciou que além da área urbana, a zona rural é um alvo frequente dos bandidos. Ele citou assaltos a propriedades rurais, roubos de gado e maquinário agrícola, por exemplo. “Na maioria dos casos, os autores não são presos e esses bens não retornarão aos donos”, observou.

No último mês de junho, bandidos explodiram terminais da agência da Caixa Econômica Federal em São Gonçalo do Rio Abaixo. O idoso Wilson Júnior relatou na audiência que mora em cima da unidade bancária e que o forte estrondo assustou os moradores. Ele lembrou que não foi o único atentado registrado na agência – outros dois já ocorreram – e que o efetivo policial existente é pequeno frente à demanda da cidade. O morador cobrou articulação conjunta para resolver a crescente violência. “É preciso uma ação ordenada regional para combate ao crime”.

Aisp

O município mineiro de São Gonçalo do Rio Abaixo tem aproximadamente 10.600 habitantes, estima o IBGE. A Polícia Militar tem poucos profissionais para o patrulhamento ostensivo nas ruas. O tenente-coronel Jair Antônio Pontes Neto, comandante do 26º batalhão da corporação, em Itabira, pontuou que a polícia não pode ser responsabilizada e que, dentro de suas condições, tem feito o melhor trabalho possível. Ele enumerou ações para o fortalecimento da segurança, como a rede de comércio protegido. “Houve uma redução de 48% nos crimes comparando o primeiro trimestre de 2016 com o primeiro trimestre do ano anterior”, observou.

Por sua vez, o delegado da Polícia Civil de São Gonçalo, Domiciano Monteiro de Castro Neto, queixou que atualmente a corporação conta com três investigadores para cobrir uma extensão de quatro municípios. Apesar disso, elencou, a delegacia comandada por ele tem concluído uma média de 300 inquéritos por ano com indiciamento de acusados à Justiça.

No que tange ao efetivo policial, foi trazido à tona na audiência pública a Área Integrada de Segurança Pública (Aisp) que ainda não foi implementada em São Gonçalo. A Aisp já foi reconhecida legalmente e permitiria o reforço na infraestrutura de segurança pública, com delegado e equipe exclusiva para São Gonçalo do Rio Abaixo.

Requerimentos assinados pelo deputado Nozinho cobrarão providências de todos os envolvidos no impasse da segurança pública em São Gonçalo. Será reivindicado ao comando da Polícia Militar e Civil em Minas Gerais, o aumento do efetivo de profissionais na cidade, e também ao reforço da atuação da Polícia Rodoviária Federal no trecho da BR-381 no território de São Gonçalo. Um documento, ainda, será enviado aos gestores das agências bancárias instaladas na cidade pedindo investimentos na vigilância patrimonial. E, ao Congresso Nacional, o pedido de projeto de lei que tipifique crimes com uso de explosivos como terrorismo.

O representante da Caixa Econômica Federal, Miguel Magno, informou que a instituição bancária não deixará o município e um novo projeto estrutural visando maior segurança da unidade e usuários é desenhado na reforma da agência que foi alvo de explosões.

Agência foi novamente alvo da ação de bandidos no último mês de junho