Em sessão conturbada, Câmara aprova criação do dia do atirador esportivo em Itabira
Um grupo de manifestantes compareceu à sessão do Legislativo para demonstrar contrariedade ao projeto de lei

Em sessão realizada nesta terça-feira (28), a Câmara Municipal de Itabira aprovou o Projeto de Lei 157/2025, de autoria do vereador Leandro Pascoal (PSD). A proposta institui o Dia do Caçador, Atirador e Colecionador (CAC) no calendário oficial do município. O objetivo da lei é reconhecer oficialmente o tiro esportivo, uma modalidade que, segundo a justificativa do projeto, é motivo de ‘tanto orgulho para a população itabirana’.
O vereador Bernardo Rosa (PSB) apresentou uma emenda modificativa ao Projeto de Lei nº 157/2025, que propõe instituir o Dia do Atirador Esportivo no município de Itabira. A alteração tem como objetivo distinguir o atirador esportivo das demais categorias compreendidas na sigla CAC — que engloba caçadores, atiradores e colecionadores.
Segundo o texto, o atirador esportivo é aquele que pratica o tiro como atividade desportiva regulamentada, filiado a clubes e federações reconhecidos, participando de competições oficiais e contribuindo para o desenvolvimento do esporte em níveis municipal, estadual e nacional.
O vereador argumenta que manter a denominação “Dia do CAC” poderia gerar interpretações equivocadas sobre o propósito da homenagem, diluindo o reconhecimento aos atletas que praticam o tiro esportivo de forma legítima, disciplinada e responsável.
A proposta, portanto, busca valorizar o tiro como modalidade esportiva, reconhecendo seus praticantes como atletas que seguem regras, normas de segurança e princípios de fair play, promovendo valores como responsabilidade, disciplina e cidadania.
Samuel Iginio, biólogo, salienta sobre o projeto de lei “é um retrocesso valorizar caçadores em Itabira. Em 2025, não cabe mais esse tipo de postura. Apresentei na Câmara argumentos técnicos e científicos que mostram isso. A proposta do vereador Bernardo Rosa foi acertada, e agora Itabira e sua fauna podem respirar aliviadas.”

Votação
Pascoal, manifestou discordância em relação à alteração do título do projeto de lei, argumentando contra a exclusão da categoria ‘caçador’ do texto final da lei. “Vivemos um momento de democracia, e respeito a decisão da Câmara, embora não tenha ficado totalmente satisfeito com a mudança no nome do projeto. Acredito que ele valoriza os clubes de tiro e os atletas da cidade, dando visibilidade a quem pratica o tiro esportivo de forma responsável.”
Durante a votação, seis vereadores se posicionaram contra as emendas apresentadas pelo parlamentar. Votaram contrariamente Dulce Citi (PDT), Leandro Pascoal (PSD), Cidnei Camilo (PL), Heraldo Noronha (PRB), Jordana Madeira (PDT) e Luiz Carlos (MDB).
Erivelto Bastos, instrutor de armamento e tiro cadastrado na Polícia Federal, instrutor de tiro desportivo e atleta da modalidade relata que “os caçadores e colecionadores foram retirados do projeto, e eu quero deixar claro que colecionadores são guardiões da história das armas, como museus, e os caçadores seguem regras rígidas do Exército e da Polícia Federal. A caça no Brasil é proibida, sendo permitida apenas para manejo de espécies que representam ameaça, como javalis, e não para consumo. Acusar essas pessoas, que passam por processos de certificação e têm reputação ilibada, é injusto, e o trabalho delas contribui para o controle ambiental e a proteção do agronegócio.”
Manifestantes
Um grupo de manifestantes compareceu à sessão do Legislativo para demonstrar contrariedade ao projeto de lei. Durante a reunião, os manifestantes expuseram opiniões contrárias à proposta, dirigindo suas críticas inclusive ao autor do projeto, o vereador Leandro Pascoal (PSD).
Janete Antônia, integrante do protesto, ressaltou contra a cultura das armas. “Nunca permiti que meu filho ou meu neto tivessem brinquedos que imitassem revólveres, porque acredito que isso incentiva a violência. Estudei o tema e vi que muitas armas de CACs acabam sendo desviadas para o uso ilícito. As maiores vítimas desses casos são as mulheres e as crianças, que sofrem acidentes dentro de casa. Por isso, considero contraditório defender a apologia às armas enquanto se condena outros tipos de violência.”




