Emoção marca os primeiros depoimentos de testemunhas da tragédia em Brumadinho à Justiça
As primeiras dez testemunhas da tragédia causada pelo rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, da mineradora Vale em Brumadinho, prestaram depoimento à Justiça, na tarde dessa terça-feira (9). As testemunhas foram arroladas pela Defensoria Pública, que escolheu os nomes entre produtores rurais, comerciantes, quilombolas, microempreendedores e pescadores. As informações são do Tribunal de […]

As primeiras dez testemunhas da tragédia causada pelo rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, da mineradora Vale em Brumadinho, prestaram depoimento à Justiça, na tarde dessa terça-feira (9). As testemunhas foram arroladas pela Defensoria Pública, que escolheu os nomes entre produtores rurais, comerciantes, quilombolas, microempreendedores e pescadores. As informações são do Tribunal de Justiça de Minas Gerais.
Durante os depoimentos, as vítimas se emocionaram ao relatar detalhes do dia da tragédia e de como estão sobrevivendo, tendo que suportar as dificuldades causadas pelo rompimento e, também, a morte de parentes, vizinhos ou amigos.
Alguns relataram estar fazendo uso de medicamentos, como ansiolíticos, após o rompimento da barragem; perda de renda e dificuldades em quitar dívidas e escoar produtos alimentícios; mencionaram alteração na cor, odor e até sabor da água.
Relataram ainda sobre a dificuldade de acesso por vias alternativas, após o bloqueio da rua Alberto Flores, principal local de deslocamento usado por moradores, além da necessidade de ajuda psicológica, com críticas aos atendimentos oferecidos, quando ocorrem, entre outros problemas.
Depoimentos
Os depoimentos foram dados ao juiz da 6ª Vara de Fazenda Pública e Autarquias da capital, Elton Pupo Nogueira, responsável pelo processo que apura os danos causados pela tragédia do rompimento da barragem de rejeitos, no dia 25 de janeiro deste ano. Já foram encontrados e identificados 248 corpos e 22 pessoas continuam desaparecidas.
Outras dez testemunhas serão ouvidas em 5 de agosto, às 14h. Em agosto, no dia 6, serão ouvidas outras 15 testemunhas arroladas pelo Ministério Público para comprovar especificamente os danos ao meio ambiente, danos urbanísticos, danos à flora e ao patrimônio cultural.
Essa fase de instrução e julgamento começou após a Justiça realizar 11 audiências de conciliação ao longo deste ano e condenar, nessa mesma terça-feira, a mineradora Vale S/A, em decisão parcial do mérito.