Empresários discutem porto seco e parque aquático como alternativas para a economia de Itabira no pós-mineração
A expectativa é que, ao longo de aproximadamente seis meses, o grupo estruture propostas e apresente um conjunto de diretrizes para o desenvolvimento econômico de Itabira
Empresários e lideranças da sociedade civil se reuniram na noite da última segunda-feira (9), na Associação Comercial, Industrial, de Serviços e Agropecuária de Itabira (Acita), para iniciar a construção de um projeto voltado à diversificação econômica do município. Entre as ideias debatidas durante o encontro estão a implantação de um porto seco para fortalecer a logística regional e a criação de um parque aquático como alternativa de turismo e entretenimento.
As propostas fazem parte das discussões iniciais do grupo Aliança Para o Progresso, que pretende elaborar um plano estratégico de desenvolvimento econômico para Itabira ao longo dos próximos meses.
Durante o encontro, o consultor e escritor Lúcio Souza afirmou que o objetivo é construir um planejamento que prepare o município para os desafios econômicos das próximas décadas. “A sociedade é que tem que trabalhar o projeto econômico para a cidade. Isso não pode partir apenas do poder público, até porque a gestão dura quatro anos. Quem tem que fazer isso é a sociedade organizada”, afirmou.
Porto Seco
O projeto do porto seco aparece como uma das estratégias para ampliar a capacidade de escoamento da produção local e regional.O modelo consiste em uma estrutura logística terrestre que funciona como extensão de um porto marítimo, permitindo armazenar, despachar e organizar cargas antes do transporte para grandes terminais portuários — no caso da região, com possibilidade de ligação ao Porto de Tubarão, em Vitória (ES).
Empresários apontaram a necessidade de que esse tipo de iniciativa esteja associado a um planejamento mais amplo da infraestrutura industrial do município.Nesse sentido, foi mencionado que o desenvolvimento de um porto seco deve considerar também a implantação ou reorganização de áreas industriais próximas às rotas de escoamento da produção, com acesso facilitado à BR-381 e conexão com a malha rodoviária regional, tendo como referência modelos adotados em municípios da região, como São Gonçalo do Rio Abaixo.
O conceito de porto seco em Itabira não é totalmente novo. Em iniciativas anteriores, o projeto chegou a ser idealizado para o distrito industrial do município em parceria com a Vale, com o objetivo de facilitar a logística de produtos minerais e integrar a cidade a uma rede de transporte ferroviário e rodoviário. Na época, no entanto, a proposta acabou sendo suspensa diante de entraves estruturais, entre eles a falta de infraestrutura hídrica no local, além da necessidade de maior participação da classe empresarial no desenvolvimento da iniciativa.

Parque aquático ou temático
Outra proposta apresentada durante a reunião foi a criação de um parque aquático ou temático como forma de estimular o turismo e ampliar as opções de lazer na cidade. A ideia prevê a utilização de uma área próxima à Usina Hidrelétrica Ribeirão São José, imóvel tombado como patrimônio histórico municipal. No local existe uma construção em formato de castelo que originalmente foi projetada para funcionar como hotel.
Além dessas iniciativas, outras propostas de diversificação econômica foram discutidas durante o encontro, como a criação de um Museu da Mineração voltado ao turismo cultural, a implantação de um centro tecnológico para estimular inovação e criatividade e o incentivo ao agronegócio, com destaque para a produção de café, agricultura e indústria de insumos.
Também foram mencionadas ideias relacionadas à economia circular, como a implantação de uma estrutura voltada à reciclagem de resíduos, além da criação de mecanismos de planejamento financeiro para o futuro do município.
Preocupação com o futuro
O empresário Márcio Couto, conhecido como “Marcinho da Loteria”, destacou a preocupação com o futuro econômico do município diante da dependência histórica da mineração. “As ideias aqui debatidas nos trazem esperança de uma Itabira melhor. Existe uma arrecadação que vai diminuindo e a preocupação é essa: o que vamos fazer?”, disse.
Ao final do encontro, os participantes decidiram criar um grupo de WhatsApp para organizar os próximos passos da iniciativa e definir a data de uma nova reunião. A expectativa é que, ao longo de aproximadamente seis meses, o grupo estruture propostas e apresente um conjunto de diretrizes para o desenvolvimento econômico de Itabira.




