Enfermeira conta como salvou criança em clube no dia de folga
Uma criança de 5 anos quase perdeu a vida em um afogamento no Real Campestre Clube, em Itabira, nessa quinta-feira, 6 de dezembro. O garoto, que estava com o avô e outros familiares, caiu em uma piscina adulta com um metro e meio de profundidade. O incidente só não se transformou em tragédia porque no […]

Uma criança de 5 anos quase perdeu a vida em um afogamento no Real Campestre Clube, em Itabira, nessa quinta-feira, 6 de dezembro. O garoto, que estava com o avô e outros familiares, caiu em uma piscina adulta com um metro e meio de profundidade. O incidente só não se transformou em tragédia porque no local havia dois associados com experiência em primeiros socorros. Não havia salva-vidas no clube.
Uma das pessoas que prestou socorro foi a enfermeira Lorena Brandão, que estava no clube a lazer e ouviu uma das irmãs do garoto pedindo ajuda. Ela dá detalhes sobre os minutos agoniantes vividos durante o salvamento.
“Foi tudo muito rápido. Ouvi a irmã chorando muito e pedindo socorro pelo irmão. Quando fui ver a criança estava boiando na piscina e o primo dela tentando retirá-lo da água”, narra.
A enfermeira estava com duas amigas no clube, aproveitando um dia de folga. Quando se deparou com a cena, saiu correndo para começar as manobras de ressuscitação. “Ele estava desacordado, sem pulso e já com as extremidades cianóticas (sintoma da falta de oxigenação no sangue)”, contou a enfermeira.
A experiência vivida por Lorena no Real Campestre Clube foi a primeira fora do seu local de trabalho e ainda teve o peso emocional de ter uma criança envolvida. “Foi assustador, por eu ter filho, pensei nele o tempo todo”, diz.
A enfermeira ressaltou que recebeu ajuda de um rapaz que também possuía conhecimentos em primeiros socorros. “Ele deu continuidade com as manobras para que eu ligasse para o Samu e pudesse passar informações corretas diretamente para o médico, já que a criança estava desacordada”, relembrou.
A criança ficou desacordada durante cinco minutos, segundo a enfermeira, e retomou a consciência antes mesmo da unidade de saúde avançada chegasse até o local. A equipe do Samu depois encaminhou o garoto para o Pronto-Socorro Municipal de Itabira, para exames mais detalhados. Ele passa bem.
O que diz o Real
DeFato Online procurou o presidente do Real Esporte Clube, César Augusto Nunes, e foi aconselhado pelo dirigente a falar com o advogado da agremiação. Juliano Moreira de Oliveira confirmou que não havia um salva-vidas no clube no momento do incidente, mas disse que a contratação de um profissional já estava em andamento, com previsão do início das atividades para o Verão.
“Nunca tivemos uma acontecimento assim aqui no clube, foi uma fatalidade. Em julho tivemos uma reunião e já havíamos observado a necessidade de um socorrista para o Verão. Nós prestamos toda ajuda à criança e aos familiares. Estamos agindo de acordo com o Regimento Interno e o Estatuto para que não se repita no clube. Estamos estudando novas formas de evitar o que aconteceu”, explicou.
Em âmbito federal, estadual e municipal ainda não há uma regulamentação da obrigatoriedade de salva-vidas em clubes de lazer. Apesar disso, o Conselho Federal de Educação Física recomenda a presença de um socorrista em locais com piscinas de uso coletivo.