Enfermeiro salva o próprio filho que introduziu bala no nariz

O enfermeiro itabirano Tiago Muzzi usou as redes sociais para chamar atenção para uma situação que viveu dentro da própria casa. Na tarde dessa quarta-feira, 6 de março, seu filho mais novo, o pequeno Caio, de 2 anos, teve início de asfixia após introduzir uma bala no nariz. A especialidade do pai foi fundamental para […]

Enfermeiro salva o próprio filho que introduziu bala no nariz
Tiago Muzzi
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O enfermeiro itabirano Tiago Muzzi usou as redes sociais para chamar atenção para uma situação que viveu dentro da própria casa. Na tarde dessa quarta-feira, 6 de março, seu filho mais novo, o pequeno Caio, de 2 anos, teve início de asfixia após introduzir uma bala no nariz. A especialidade do pai foi fundamental para salvar a criança, mas, mesmo com todas as técnicas, aqueles segundos foram agoniantes para a família.

Segundo Tiago, estava na sala assistindo TV com o garoto, que comia balinhas bem pequenas. Em dado momento, o pai percebeu que o filho estava com dificuldades para respirar. Foi quando o menino contou que havia colocado um dos doces no nariz. O enfermeiro, então, precisou colocar em prática as técnicas de primeiros socorros.

“Mantive a calma e o acalmei também, para que não inalasse mais a balinha e complicasse ainda mais a situação. Expliquei a ele para assoar o nariz, tampei uma das narinas e repetimos umas cinco vezes, porém sem sucesso”, relembra o enfermeiro.

O insucesso das tentativas começou a tirar a tranquilidade do garoto. A preocupação do pai era para que a criança não chorasse, pois isso faria com que a bala fosse inalada para uma região mais profunda. “Então, pedi a ele para soar o nariz o mais forte que ele poderia, igual ao Hulk. Coloquei minha boca na boca e nariz dele e, simultaneamente, quando ele assoou o nariz eu fiz o movimento de sucção e a balinha saiu”, completa Tiago, citando que teve que recorrer a um dos heróis favoritos do filho para estimulá-lo a empurrar a bala para fora da narina.

Ao portal DeFato Online, Tiago relatou que mesmo com toda sua experiência o atendimento dentro de casa foi uma situação complicada, justamente por se tratar do próprio filho, o que demanda maior controle emocional. “São segundos no qual a gente não tem muito no que pensar. Tem que agir, e agir com frieza. Até mesmo esquecer, pode-se dizer assim, que é seu filho naquela situação. Não é fácil. É complicado mesmo para quem tem experiência”, conta.

Recorrência

O alerta do enfermeiro Itabira chama atenção para um problema recorrente no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, os acidentes domésticos representam a principal causa de mortes de crianças no país. Esse universo inclui queimaduras, cortes, afogamentos, inalação de pequenos objetos e ingestão de produtos químicos.

A sufocação, especificamente, é o tipo de acidente que mais tira a vida de crianças com menos de um ano de idade. Dados mais recentes do Ministério da Saúde, de 2016, apontam que 826 crianças e adolescentes morreram naquele ano devido a ocorrências desse tipo, sendo que 636 ainda não tinham completado o primeiro ano de vida.

Em relação às internações de meninos e meninas de zero a 14 anos por acidentes no Brasil, foram registradas 508 hospitalizações em decorrência de sufocação ou engasgamento, a maioria (56%) com crianças de um a quatro anos.

Para Tiago Muzzi, a incidência de casos como o que vivenciou na própria casa seria menor caso houvesse nas escolas cursos de primeiros socorros. “É uma forma de as crianças e os pais entenderem o que fazer numa situação de risco dessa. Muitos pais, por não saber e não conhecer os procedimentos, acabam desesperando e não tendo condições de resolver”, defende.

Tiago também listou cinco passos que podem salvar a vida de uma criança com sufocação ou engasgamento. Confira:

1 – Mantenha a calma, o stress pode piorar e muito a situação;

2 – Caso tenha conhecimento de primeiros socorros comece imediatamente, pois tempo é ouro nesses casos;

3 – Ligue para o Samu (192) ou Bombeiros (193). Eles irão orientar no que deve ser feito e ou encaminharão uma equipe para atendimento;

4 – Procure sempre um serviço de saúde para atendimento o mais rápido possível quando necessário;

5 – Após o ocorrido, sente com seu filho(a) e explique o que aconteceu e os riscos que ele correu. O diálogo é muito importante, pois eles não têm noção do perigo.