Entenda a Lei de Reciprocidade Comercial regulamentada pelo Lula
Decreto permite governo responder ao tarifaço dos EUA e cria Comitê responsável por decidir contramedidas comerciais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou o decreto que regulamenta a Lei da Reciprocidade Comercial, conforme anunciado nesta segunda-feira (14) pelo ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa. O texto foi publicado no Diário Oficial da União desta terça-feira (15) e autoriza o governo brasileiro a adotar contramedidas contra países ou blocos econômicos que imponham barreiras unilaterais aos produtos nacionais no mercado internacional.
A regulamentação ocorre dias após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a imposição de uma tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras, com vigência a partir de 1º de agosto. Atualmente, produtos como aço e alumínio já enfrentam sobretaxas de até 25%, impactando especialmente empresas brasileiras, que estão entre os principais exportadores desses metais para o mercado norte-americano.
Embora o decreto não mencione especificamente os EUA, Rui Costa explicou que o instrumento é uma forma de resposta rápida a medidas semelhantes às adotadas por Washington. “A denominação ‘reciprocidade’ pode responder de um formato também rápido, se outro país fizer medidas semelhantes a essa que foi anunciada pelos Estados Unidos”, afirmou o ministro.
O decreto institui o Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais, responsável por decidir sobre as providências a serem adotadas em casos de medidas unilaterais que afetem o Brasil. O colegiado será composto pelos ministros do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) – que o presidirá –, Casa Civil, Fazenda e Relações Exteriores. A Secretaria-Executiva do MDIC exercerá a coordenação do grupo, que poderá contar ainda com outros ministros, dependendo do tema tratado.
As contramedidas previstas terão caráter excepcional e rito mais ágil. Poderão ser aplicadas, por exemplo, quando países:
- Interferirem nas escolhas legítimas e soberanas do Brasil, tentando forçar mudanças por meio de sanções comerciais ou financeiras;
- Violaram acordos internacionais, anulando benefícios previstos para o Brasil;
- Adotarem medidas unilaterais baseadas em critérios ambientais mais rigorosos do que os padrões brasileiros, prejudicando a competitividade nacional.
Paralelamente, o governo federal também criou um comitê de trabalho interministerial, que contará com representantes da indústria e do agronegócio, para discutir as reações às tarifas anunciadas pelos EUA. A primeira reunião do grupo será realizada nesta terça-feira (15), sob liderança do vice-presidente Geraldo Alckmin.
A Lei da Reciprocidade Comercial foi aprovada pelo Congresso Nacional em março e sancionada em abril. O texto estabelece os critérios legais para o Brasil responder a políticas comerciais unilaterais que prejudiquem a competitividade de seus produtos no cenário global.
No Artigo 3º, a lei autoriza o Conselho Estratégico da Câmara de Comércio Exterior (Camex) a adotar contramedidas, incluindo restrições à importação de bens e serviços, sempre com prioridade para tentativas de negociação entre as partes envolvidas antes de qualquer retaliação formal.
Com a regulamentação em vigor, o Brasil se prepara para enfrentar com mais agilidade os impactos da atual guerra comercial, defendendo sua soberania econômica e a proteção dos setores produtivos nacionais.
*Com Agência Brasil.




