Entenda o funcionamento do Dique 02, estrutura que elevou a Barragem do Pontal, em Itabira, para nível 1 de risco

Maior estrutura de contenção de rejeitos mantida pela Vale, em Itabira, a Barragem do Pontal passou a ser classificada a partir desta segunda-feira, 1º de abril, como de nível 1 de risco de rompimento. Isso porque a empresa não conseguiu renovar a declaração de estabilidade do Dique 02, um dos “braços” que compõe o complexo […]

Entenda o funcionamento do Dique 02, estrutura que elevou a Barragem do Pontal, em Itabira, para nível 1 de risco
em Itabira – Foto: Divulgação|Dique 02 integra o complexo de Pontal

Maior estrutura de contenção de rejeitos mantida pela Vale, em Itabira, a Barragem do Pontal passou a ser classificada a partir desta segunda-feira, 1º de abril, como de nível 1 de risco de rompimento. Isso porque a empresa não conseguiu renovar a declaração de estabilidade do Dique 02, um dos “braços” que compõe o complexo gigantesco que recebe as sobras do que é produzido em Cauê.

Com cerca de 17,4 milhões de metros cúbicos de rejeito, o Dique 02 está localizado na parte superior da Barragem do Pontal, na divisa com o bairro Pedreira. Alteada pelo método a montante (quando se usa o próprio rejeito para elevar a capacidade de contenção), a estrutura tem 21 metros de altura e um volume de aterro de 220 metros cúbicos. Os dados são de um relatório emitido no ano passado pela Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam).

O Dique 02 é uma das sete estruturas que integram o Complexo de Pontal. Implantada em 1972, a barragem é operada em um sistema semifechado, onde o rejeito é lançado nos braços do reservatório e a recuperação da água é feita no corpo principal do barramento, retornando através de bombeamento até a usina do Cauê.

Além do Dique 02, o complexo do Pontal ainda inclui: o Cordão Nova Vista, a Grota do Minervino e os Diques 03, 04, 05 e 06. Os rejeitos são dispostos nesses braços do reservatório, onde ocorrem a sedimentação e o desaguamento. Com o objetivo de aumentar o tempo de vida útil desses braços, como mostra um estudo apresentado em 2008 pelo geólogo Danilo Carvalho de Almeida e pelo engenheiro Celso de Oliveira Loureiro, foram implantados diques sobre os rejeitos, elevando assim os níveis de sedimentos a montante.

Importante ressaltar que a barragem do Pontal foi alteada pelo método a jusante, considerado mais seguro pelas autoridades. O Dique 02, sim, teve sua capacidade aumentada pelo método a montante. O fluxo de rejeitos da estrutura está voltado para dentro do próprio complexo.

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Mapa mostra a divisa do Dique 02 com o bairro Pedreira; fluxo de rejeitos, no entanto, é para a própria barragem do Pontal – Foto: Google

O funcionamento

Segundo estudo apresentado pela dupla Danilo Carvalho de Almeida e Celso de Oliveira Loureiro, no XV Congresso Brasileiro de Águas Subterrâneas, os diques são importantes estruturas do condicionamento e armazenamento das águas abaixo do solo, pois possuem a capacidade de reter juntamente com o rejeito sólido a água que satura o mesmo.

O Dique 02 é o maior em volume de rejeitos dentro das estruturas que formam o complexo de Pontal. Em função do nível de assoreamento dos braços da barragem, há a alternância do lançamento do rejeito. No caso do dique que teve revogada a declaração de estabilidade, era lançado parte do rejeito daquilo que é chamado de “galeria amarela” dentro da mineração.

A “galeria amarela” recebe esse nome devido à coloração dos rejeitos que nela deságuam. Proveniente em maioria do que sai da parte inferior (underflow) dos espessadores, nessa galeria era desaguado também os rejeitos da jigagem, perdas no peneiramento, transbordo de caixas e drenagem pluvial, além dos rejeitos do projeto ouro. Eventualmente, também recebia rejeitos da flotação.

A estrutura, a partir da perda da declaração de estabilidade, está com as atividades paralisadas. A Vale afirma que fará obras para confirmar a plena segurança do Dique 02 e, assim, retornar com a contenção para o nível zero. Outras 16 estruturas mantidas pela empresa em Minas Gerais tiveram o mesmo documento cancelado.

Ainda segundo a Vale, a perda da declaração de estabilidade não agrava o fator de segurança do dique do Complexo do Pontal e nem impacta na produção de minério de ferro em Itabira. A empresa afirma que “auditores externos reavaliaram todos os dados disponíveis das estruturas e novas interpretações foram consideradas em suas análises para determinação dos fatores de segurança” e que “a produção dessas localidades somente será retomada quando a segurança das estruturas estiver assegurada”. ​

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