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Entregador itabirano sofre preconceito após cliente alegar atraso

Entregador itabirano sofre preconceito após cliente alegar atraso

Foto: Reprodução / Redes sociais

Na tarde dessa quinta-feira (7), uma cliente do restaurante itabirano Aradíssimo, fez uso das redes sociais para denunciar um caso de preconceito sofrido pelo entregador do estabelecimento. De acordo com o desabafo publicado em um grupo do Facebook, a cliente explica que o rapaz teria sofrido ataques verbais na entrega que realizou antes de chegar à sua casa.

A postagem reuniu centenas de mensagens de apoio ao entregador. Mais de 500 pessoas comentaram. No fim de seu relato, a cliente que contou o ocorrido ainda fez um apelo. “Gente, que mundo é esse! É de doer o coração! Todo trabalho é digno e merece respeito! Mais AMOR, por favor. Não sei o nome do rapaz! Mas, se vc está lendo isso, pode ter certeza que todos nós da rua que presenciamos isso, estamos com vc!”, finalizou.

O susto do ocorrido

Matheus Oliveira, de 18 anos, é o entregador que passou por esse constrangimento. Ele contou à DeFato Online que chegou ao endereço e que a cliente não atendia ao interfone, mesmo depois de tocar várias vezes. “Liguei mais ou menos seis vezes e nada da cliente atender. Nesse momento chegou um outro motoqueiro, que presenciou tudo. O cliente dele apareceu, ele fez a entrega e quando estava finalizando, eu consegui o contato telefônico com a minha cliente”, relembra.

Em seu relato, Matheus afirma que pelo telefone a mulher já foi ríspida, acusando-o de mentiroso. “Quando ela chegou, eu voltei a explicar que estava lá há cerca de 15 minutos e o motoqueiro confirmou. Mas ela ignorou. Eu me mantive calmo e falei que não tinha porque mentir. Ela então disse: ‘fica com essa comida para você que talvez você precise, já que está fazendo entrega’. Eu agradeci e disse que tinha muito mendigo na rua precisando e ela me disse para enf*#% no c*. Foi aí que eu desabei”.

Matheus conta ainda que, na sequência, ela jogou o pacote da entrega em seu peito. Essa não é a primeira vez que o entregador sofre preconceito e maus tratos. Porém, ele afirma que nunca chegou a essa gravidade. Matheus também disse que, mesmo com a ampla divulgação do caso nas redes sociais, a cliente não chegou a procurá-lo, e nem ao restaurante, para se retratar.

Apesar de tudo o que passou, Matheus Oliveira faz questão de destacar a importância dos clientes do Aradíssimo em sua vida. “Tenho que agradecer porque é por causa deles que eu tenho o meu sustento e conquisto as minhas coisas. Muito obrigado! Para os meus colegas de trabalho, muito cuidado e responsabilidade. Vamos manter a calma sempre. Às vezes a pessoa pode pisar em você, mas não se rebaixe ao nível dela. E bola pra frente e foco!”, finaliza.

Funcionário exemplar

Kelly Vieira, proprietária do Aradíssimo, explica que estabelecimento funciona com opção de delivery desde a sua fundação há dois anos. Ela conta que Matheus Oliveira, entregador vítima de preconceito, foi o primeiro funcionário do Aradíssimo.

“Ele estava presente no primeiro pedido que recebemos. Ele é dedicado, prestativo, carinhoso e faz o melhor que pode. É um excelente profissional que recebe muitos elogios dos clientes. A palavras que usam para descrever ele é gentil, humilde, educado. Nenhum cliente nunca falou o contrário dele, e isso me enche de orgulho porque ele merece muito”, comemora.

Ela contou que a cliente que o tratou com preconceito tinha realizado seu primeiro pedido no restaurante naquele dia. “Nós não entramos em contato com ela. Eu penso que não podemos medir a nossa régua pela régua dos outros. Ela pode estar passando por um momento difícil e ter descarregar no outro aquilo que está sentindo nela”.

Kelly Vieira ainda destacou que pretende continuar atendendo essa cliente com o máximo de carinho possível, caso ela volte a fazer pedidos. “Não pagamos o mal com o mal, mas infelizmente essa não foi a primeira vez. Já tivemos outros casos. Já recebemos ligação de uma cliente, por exemplo, que me chamou de tudo enquanto é nome, que prometeu publicar nas redes sociais”, cita a empreendedora.

Ela ainda completa com um recado para a cliente que destratou seu funcionário. “Espero que Deus a abençoe. Que isso sirva de aprendizado para que não aconteça com outros entregadores e que ela se torne uma pessoa melhor, porque a roda da vida gira”.

Resposta nas redes sociais

Hoje (8), Kelly Vieira fez questão de gravar um vídeo e falar em nome de seu estabelecimento. Ela explica que além de chefe da cozinha, muitas vezes também realiza as entregas. “Nós não somos coniventes com nenhum tipo de discriminação e nenhum tipo de violência. Repudiamos isso de maneira veemente aqui dentro”.

Na gravação, ela destaca ainda que os colabores do restaurante são treinados para levar a melhor qualidade possível, seja na comida, na entrega ou no atendimento.

“O fato que aconteceu ontem foi muito triste. Quero pedir para vocês que tenham mais empatia com o próximo. Muitas vezes o pedido atrasa não só porque a cozinha atrasou algum processo. Muitas vezes, quem vai receber a entrega está tomando banho e nós temos que esperar. Às vezes a pessoas está dormindo e a gente tem que esperar para poder receber. Consequentemente, tem outros pedidos que vão atrasar e nem todos compreendem que isso é uma cadeia”.

Ainda durante o vídeo, divulgado nas redes sociais do restaurante e no grupo de Facebook que levou o ocorrido à público, Kelly Vieira dá voz ao entregador. Matheus Oliveira fez questão de agradecer ao motoqueiro que estava presente quando as agressões aconteceram e de quem ele pôde receber apoio.

“Eu queria agradecer também às clientes da entrega que eu realizei depois que o fato aconteceu. Elas me deram conforto. Eu cheguei lá tão abalado que elas me deram aquele conforto de mãe, me acudiram num momento de desespero. Eu também queria agradecer a todo mundo que me mandou mensagens, me ligou e disse palavras de apoio. Isso me ajudou muito”.

O entregador também citou o grupo de colegas de profissão que demonstram sensibilidade com a situação.

“Eles sabem que eu não fui o primeiro e não serei o último. Eles estão indignados e não estão errados. Eu peço valorização do nosso trabalho, porque a gente está debaixo de chuva e de sol para entregar comida quentinha pra vocês, além de arriscar nossa vida. Eu não sou a favor de qualquer tipo de violência. O mal não se paga com o mal”, encerrou.

Confira o vídeo na íntegra:

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