Ex-mendigo se livra do crack e atua na regeneração de viciados
Dailson Jackson (à esquerda) se dedica a ajudar viciados
Dailson Jackson Gomes era um jovem trabalhador. Cheio de sonhos como qualquer outro neste período. Na ânsia de querer tudo para hoje e com o lema “vivendo a vida loucamente” (como mesmo conta), encontrou em seu caminho, aos 21 anos, as drogas. Chegou ao fundo do poço, até se tornar mendigo na cidade de Itabira, morando nas ruas, tendo como companhia apenas o crack. Há 3 anos, ele mudou de vida. Hoje é motorista de carreta, se tornou evangélico e compõe músicas gospel com o objetivo de levar às pessoas viciadas a esperança de também conquistarem uma nova vida.
Dailson conta que quase toda a sua família mora em Itabira. Todos sempre o apoiaram e nunca o abandonaram na busca pela regeneração. Aos 21 anos, mudou-se para Belo Horizonte, onde abriu um salão de cabeleireiro e começou a ganhar bem. “Nunca lembrava de Deus. Gastava muito dinheiro com coisas fúteis e queria tudo de maneira fácil. Vieram os falsos amigos, a bebida, o cigarro de maconha, a cocaína, até que comecei a usar crack. Buscava um prazer enganoso, que dava sensação boa, mas que depois passou a me levar à vontade de acabar com minha vida”, conta.
Em Itabira, mendigando e pedindo dinheiro para comprar droga, tentou suicídio entrando na frente de um trem com minério. “Já quase morri várias vezes, mas Deus não deixou. Não sabia que Deus estava no controle de todos os meus passos. Hoje sou um homem de Jesus e só com Ele podemos viver com paz”, diz.
O primeiro passo para a sua recuperação veio através de um policial, que ao invés de repreendê-lo o apresentou a Bíblia. Um dia, Daílson foi de carro até perto de uma favela e começou a usar drogas. No momento em que o dinheiro para comprar mais entorpecentes acabou ele se desesperou e começou a vender peças do veículo, do qual ainda estava pagando e já possuía prestações atrasadas. “Primeiro vendi o som, depois os bancos, rodas e nisso os vizinhos viram e chamaram a polícia. Liguei pra minha esposa e quando ela chegou, eles estavam rebocando o carro. Quando cheguei perto dos policiais, um deles não me deu importância e o outro me chamou e começou a falar de Jesus. Naquele momento senti algo diferente”, narra.
Dailson foi para a casa com a sua esposa chorando. No dia seguinte resolveu se internar em uma clínica que trata de dependentes químicos. Hoje, com 36 anos, há 3, não usa drogas. É casado, motorista de caminhão e compõe músicas gospel que transmitem as pessoas palavras de força e esperança, por meio de seu testemunho. Tem realizado vários trabalhos em igrejas evangélicas em Belo Horizonte e região e busca espalhar para as pessoas a sua história de vida como forma de incentivo. “Deus tem me levado em muitas igrejas para levar esperança para as famílias. Pessoas que tem meu CD me ligam para agradecer pelas músicas, querem saber como consegui deixar o crack. Sempre dou meu testemunho de vida e gostaria que Itabira, onde as pessoas me viram tão mal, conhecessem a minha história”, afirma.
Atualmente, o compositor mora em Belo Horizonte, ao lado da casa de recuperação onde fez seu tratamento. No local vivem cerca de 80 internos.