Ex-vereadores de Ipatinga são detidos em esquema de falsificação de atestados médicos

Com a ajuda de pessoas do seu gabinete, um deles emitia os documentos falsos

O Grupo de Atuação Especial De Combate ao Crime Organizado (GAECO) de Ipatinga, composto pela Polícia Civil, Polícia Militar e o Ministério Público de Minas Gerais, concluiu, no último fim de semana, uma operação sobre emissão e uso de falsos atestados médicos no município.

Ao todo, 26 pessoas participavam do esquema, que envolvia funcionários públicos, quatro ex-vereadores e ex-assessores. Os parlamentares utilizavam a artimanha para justificar a ausência na Câmara Municipal. Durante as investigações, ainda foram recolhidos 42 documentos falsos.

Segundo a Polícia Civil, os participantes da fraude falsificavam atestados que, em tese, seriam emitidos pelas prefeituras municipais de Ipatinga e Timóteo. Porém, as autarquias sequer tinham ciência do caso, e chegaram a cooperar nas investigações, encaminhando cópias de documentos e fornecendo informações.

De acordo com a investigação, os suspeitos apresentavam atestados que seriam, a princípio, provenientes da rede municipal de saúde. No entanto, não havia registros da entrada e consultas do grupo na rede municipal.

Além disso, todos os atestados continham a assinatura de um mesmo médico, que negou tanto a emissão dos documentos, quanto a caligrafia e sua assinatura, o que foi constatado por um laudo pericial. No decorrer das investigações, foi descoberto que os atestados falsos eram feitos por um ex-vereador de Ipatinga, com a contribuição de pessoas do seu gabinete.

Dos 26 investigados, 18 confessaram o crime de uso de documento falso e informaram ao GAECO quem seria o responsável pela emissão dos documentos. A este grupo, o Ministério Público ofereceu um acordo de não persecução penal, no qual pagarão uma multa e não serão processados. Quanto aos outros oito envolvidos, estes já foram denunciados pelo Ministério Público e entregues à Justiça.