Exemplo de positividade: Mesmo diante de doença rara, Iuly Sena sonhava com seu casamento

A mãe conversou com DeFato Online e fez algumas revelações sobre a jovem

Exemplo de positividade: Mesmo diante de doença rara, Iuly Sena sonhava com seu casamento

“Um amor de pessoa”. Assim descreveu a personalidade da filha a cabeleireira Maria Sena “Cidinha”, mãe da jovem Iuly Cristine de Sena, 20 anos, que morreu no último dia 19 de janeiro. A são-gonçalense lutava contra um tipo raro e maligno de tumor no cérebro, doença descoberta pela família quando ela ainda tinha 13 anos.

Com o coração “despedaçado e ainda sem acreditar” que Iuly se foi, a mãe conversou com DeFato Online e fez algumas revelações sobre a jovem, que, além de muito sonhadora, representou para todos, um exemplo de positividade, mesmo quando tudo se mostrou contrário.

Cidinha, que agora é mãe de três moças, contou que a garota conquistou a todos com sua personalidade solidária, amigável e madura, que impunha respeito na casa, se mostrando uma segunda mãe para a irmãzinha Luana, de 9 anos. “Ela conquistou a cidade, tinha muitos amigos, era um amor de pessoa. Se precisasse xingar, ela xingava. Até eu mesma, ela cansou de dar conselhos”, confidenciou. Apesar da falta que Iuly faz à família, a pequena Luana se conforma: “Agora eu estou bem, mas sinto muita falta dela. Ela brincava muito comigo, mas estava sofrendo muito. Agora ela está no céu com Deus. Deus escolheu ela, não é?”.

Nos últimos anos, inúmeras pessoas se mobilizaram em campanhas para ajudar nos tratamentos da moça. Iuly não escondia a postura positiva, mesmo durante procedimentos difíceis e dolorosos. De acordo com a mãe, desde que descobriu o tumor, a jovem lutou com muita fé, sem esmorecer. “Ela falava de Deus toda hora, não reclamava de nada e falava que Deus ia curá-la. Todas as notícias que os médicos davam ela tinha esperança. Às vezes eu nem acredito que ela faleceu, às vezes sinto a presença dela, mas, Deus está no controle”, disse a mãe, com a voz embargada.

Iuly (cabelo curto) com a mãe Cidinha e as irmãs (Foto: Arquivo familiar)

Sonhava em se casar

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Fanática pelos animais e pelas plantas, especialmente as hortaliças, Iuly fez curso técnico em Meio Ambiente e carregava vários sonhos, que queria realizar quando estivesse curada: ajudar a mãe a cozinhar, cuidar dos animais, e o maior deles, se casar com o jovem Maycon Santos, que namorou por quase 3 anos. Sobre o relacionamento, Cidinha frisou: “O Maycon foi um enviado de Deus na vida dela. Ela o amou muito e ele também. Ele foi forte até os últimos momentos. Foi um enviado de Deus na vida dela”.

O rapaz de 19 anos acompanhou a luta de Iuly e eles tinham planos de casamento. Noivariam em 8 de setembro deste ano, um dia após o aniversário dele e um antes da namorada. O casal estava começando a juntar moedas em uma caixinha para a compra das alianças. Subiriam ao altar em 2019. Sobre a vida sem a namorada, Maycon diz que encarar a realidade não tem sido simples. “É muito difícil, pois ela era meu futuro. Sei lá, é um impacto muito forte, é muito difícil para eu entender que ela se foi. São os dias mais difíceis da minha vida. Mas Deus anda mediando força como deu para ela”, declara.

Trajetória que dá um livro

Cidinha contou que tem a intenção de buscar ajuda para um livro com a biografia póstuma da filha. Segundo ela, uma amiga já havia escrito o primeiro capítulo. As partes seguintes seriam elaboradas por Iuly, quando melhorasse. Entre os registros, há vários textos de amigos da garota e Maycon também tem um caderno com a história do casal, que entraria na obra.  A mãe planeja compilar tudo em um livro e resume o motivo: “Porque a história dela é muito grande”. Que a obra inspire muitas pessoas a lutar, independente da situação.