Facção incendeia ônibus em Venda Nova e ameaça “queimar BH inteira”
De acordo com o motorista do coletivo, o crime ocorreu cerca de 15 minutos antes do fim do expediente
Um ônibus da linha 634 (Estação Vilarinho/Nova York) foi incendiado por criminosos na noite dessa terça-feira (4), no bairro Nova York, na região de Venda Nova, em Belo Horizonte. Durante o ataque, os autores deixaram uma carta assinada pela facção criminosa Bonde dos Malucos (BDM), afirmando que, caso as reivindicações não sejam atendidas, “vão queimar BH inteira”. No documento, também foram feitas ameaças à Justiça.
De acordo com o motorista do coletivo, o crime ocorreu cerca de 15 minutos antes do fim do expediente. Três homens encapuzados e armados entraram no veículo e ordenaram que ele descesse imediatamente. Moradores relataram que quatro suspeitos participaram da ação — dois em uma motocicleta e dois a pé, portando um galão com líquido inflamável.
Um dos criminosos teria dito: “Não é nada contra você.” Em seguida, o grupo ateou fogo no ônibus e entregou uma carta para que fosse repassada à polícia. Testemunhas informaram que os autores também ameaçaram clientes de um bar próximo, ordenando que ninguém falasse sobre o ocorrido.
O Corpo de Bombeiros foi acionado e conseguiu controlar as chamas. A Cemig atuou para garantir a segurança elétrica na área, enquanto a perícia da Polícia Civil recolheu o material e a carta deixada pelos criminosos para análise.
No texto endereçado à juíza Bárbara Isadora, da Comarca do Presídio de Ribeirão das Neves, os autores alegam supostas violações de direitos dentro da unidade prisional, incluindo agressões, desrespeito durante atendimentos de saúde e dificuldades nas visitas de familiares. A carta exige “atenção e fiscalização dos órgãos competentes” e termina com a ameaça: “Será somente o início, senão vamos queimar BH inteira.”
Nota do Depen-MG
O Departamento Penitenciário de Minas Gerais (Depen-MG) informou, em nota, que está acompanhando os desdobramentos do caso, que será investigado pela Polícia Civil. A pasta aguarda a conclusão das investigações para confirmar se há relação direta entre a ação criminosa e o sistema prisional.
“Sobre o Presídio Antônio Dutra Ladeira, informamos que o horário de entrada dos visitantes, aos fins de semana, começa às 8 horas e se estende até às 11 horas, os visitantes podem permanecer no interior da unidade até às 15 horas (…)”, informou o órgão.
O Depen-MG destacou ainda que os atendimentos de saúde nas unidades prisionais seguem os protocolos da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade. “Especificamente sobre o Presídio Antônio Dutra Ladeira, não há registros de falta de atendimento; inclusive, as instalações do núcleo de atendimentos de saúde foram reformadas recentemente”, diz a nota.
Por fim, o departamento ressaltou que todas as unidades prisionais sob sua administração são regularmente fiscalizadas por diferentes órgãos de controle, como o Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. “As inspeções são periódicas, criteriosas e, em sua maioria, acompanhadas pelo próprio Juiz da Vara de Execuções Criminais”, conclui.




