Fair Play Financeiro: investimentos e contratações conforme o “bolso” dos clubes de futebol
Modelo financeiro foca na gestão empresarial dos clubes de futebol, com receitas maiores que as despesas e previne a lavagem de dinheiro

Um termo tão conhecido no futebol, o “Fair Play”, ganha novos ares, ainda que correspondente às quatro linhas: Fair Play Financeiro (FPF). Traduzindo para a realidade dos clubes de futebol, o termo condiciona investimentos e contratações das equipes de futebol à realidade econômica de cada uma.
Um exemplo disso vem da Europa, mais precisamente com o Manchester City. Isso porque a UEFA determinou uma punição à equipe inglesa, inclusive com banimento de competições europeias por duas temporadas. A justificativa foi pautada em irregularidades nas contas do clube. Havia ainda a multa de nada mais nada menos que 30 milhões de euros. Contudo, a Corte Arbitral do Esporte (CAS) reverteu o quadro para o clube inglês. Além de ter sido condenado “apenas” por não ajudar nas investigações e não por irregularidades contábeis, a multa para o Manchester caiu para 1/3 do valor, ou seja, 10 milhões de euros.
Enquanto alguns focam na punição ao Manchester City, especialistas focam no desenvolvimento sustentável das equipes. Um deles é o Pedro Daniel. Ouvido pelo time de conteúdo da Betway Esportes, site de apostas online , ele afirma que o Fair Play Financeiro não pode ser visto como algo que vai igualar ou equilibrar os investimentos dos clubes de futebol. “O FPF não é um movimento socialista, que busca o equilíbrio financeiro entre os clubes. Se você tem mais dinheiro, você vai gastar mais”, explicou ele. Ainda assim, a igualdade financeira é uma consequência dessa equação. “Os donos têm permissão para fazer aportes de até 30% da receita do clube. Se não passar disso, não há porque punir”, explicou Pedro .
Essa moralidade das contas dos clubes de futebol é defendida também por Maurício Corrêa, presidente da Comissão de Direito Esportivo do Instituto de Advogados Brasileiros. Segundo ele, a partir do momento que se tem uma gestão eficaz e com visão empresarial, de que receitas não podem superar as despesas, há maior possibilidade de atrair investidores. “O Fair Play Financeiro veio inclusive como uma forma de moralizar , porque não é possível que um clube que atrase constantemente os salários dos seus atletas, continue a disputar competições sem nenhum tipo de punição se comparado a clubes que honram seus compromissos fiscais”, destacou Maurício.
Futebol brasileiro
Implantado e consolidado na Europa, o Fair Play Financeiro ainda traz dúvidas no futebol brasileiro. Tanto que ainda é trabalhado de forma orientativa. Apesar disso, Pedro Daniel reforça o desenvolvimento sustentável como um dos principais benefícios da prática. “O Fair Play Financeiro não foi criado para punir ninguém, nem criar sanções. Ele traz lisura não só para as competições, mas para o mercado como um todo, visa apenas o desenvolvimento sustentável, sem lavagem de dinheiro,”, enfatizou o diretor-executivo.
Exemplo de clube brasileiro que poderia estar em situação diferente a partir da implantação do Fair Play Financeiro é o Cruzeiro. “O modelo é muito mais preventivo que punitivo, porque faz o acompanhamento. Isso diferencia no resultado final”, declarou Pedro. Assim, a consequência do FPF é justamente mais transparência e uma gestão eficaz dos clubes, independente da posição na tabela.