Falta gasolina para mineiros

A Refinaria Gabriel Passos atrasou a entrega de combustível no fim de semana

O preço dos combustíveis não para de subir e esse não é o único problema dos motoristas de Belo Horizonte. No último fim de semana faltou gasolina em alguns postos da cidade e há risco de a produção não ser suficiente para suprir a demanda nos próximos meses.

O problema tem origem no preço do álcool, que começou a disparar em setembro do ano passado e hoje já corresponde a 81% do preço da gasolina. Como o álcool só vale a pena se o preço for até 70% do cobrado pela gasolina, os motoristas abandonaram o etanol e fizeram subir a demanda por gasolina. Somente na primeira quinzena de janeiro, a venda de gasolina subiu 10%, de acordo com o Sindicato dos Postos de Combustível (Minaspetro). "A produção não acompanhou", afirma o presidente da entidade, Sérgio de Mattos.

Para agravar a situação, no último fim de semana, a Refinaria Gabriel Passos (Regap), da Petrobras, responsável pela gasolina vendida em Minas Gerais, teve um problema na produção e perdeu o combustível fabricado. "A gasolina ficou fora de especificação. A Petrobras não pode entregar às distribuidoras por problemas de qualidade", diz o vice-presidente executivo do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis (Sindicom), Anísio Vaz.

"Importação"
De acordo com Vaz, a estatal autorizou a compra de gasolina de outros Estados, principalmente Rio de Janeiro e São Paulo, e cobriu os custos extras com o transporte.

Vaz afirma também que a gasolina produzida pela Regap, instalada em Betim, não é suficiente para abastecer Minas e, com o aumento da demanda, essa importação de outros Estados será frequente. "Vamos complementar com a produção de outras refinarias fora de Minas. Isso tem um custo e, nesse caso, a Petrobras não cobre", afirma. Esse gasto a mais, entre eles com transporte, será repassado ao consumidor.