Ferrenses vão às ruas protestar contra a devastação da natureza

Voluntários distribuem panfletos educativos e mudas de plantas nativas

Ferrenses vão às ruas protestar contra a devastação da natureza

No dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado nesta quarta, 5 de junho, as notícias são alarmantes, especialmente para Ferros, uma das principais áreas de conservação de florestas da região. De acordo com o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, divulgado ontem pela ONG SOS Mata Atlântica e pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), restam somente 8,5% de vegetação no país. Foram 23.548 de hectares devastados (um hectare corresponde a 10 mil m2) entre 2011 e 2012, número 29% maior do que o registrado entre 2008 e 2010, período de referência anterior no mesmo estudo. É o bioma mais ameaçado em todo o território nacional.

Por conta da gravidade dos números, Polícia Militar do Meio Ambiente e Associação de Defesa e Desenvolvimento Ambiental (Addaf), com o apoio da Prefeitura, promoveram diversas ações de conscientização da população. Entre elas a distribuição de mudas de espécies nativas, blitz educativa e panfletagens.

O Sargento Sérgio Ferreira Carvalho, da Polícia do Meio Ambiente, diz que a educação ambiental é o caminho para a sustentabilidade. “Temos que trabalhar, principalmente, a cabeça das crianças. Elas têm bastante facilidade para aprender e promover mudanças no futuro”, afirma o militar.

Já a chefe do Departamento de Meio Ambiente da Prefeitura, Vânia Machado, alerta: “Apesar de haver um trabalho intenso de educação ambiental em Ferros, os adultos ainda dão maus exemplos. Mesmo com a divulgação permanente das ações de coleta seletiva, há quem jogue lixo no rio, dando uma prova de indiferença em relação ao nosso maior patrimônio natural”.  

Abraço

Dentre as ações promovidas, destaque para o abraço ao rio Santo Antônio no perímetro urbano, curso d’água para o qual está prevista uma série de empreendimentos de mineração e geração de energia elétrica. Centenas de pessoas ocuparam as ruas da cidade, contornando as duas pontes, protestando contra a possível devastação do Santo Antônio, único afluente a entregar água limpa, isto é, em condições de consumo humano, para o Rio Doce.

A presidente da Addaf, Tereza Cristina Silveira, a Tininha, diz que ainda falta maior participação das pessoas na defesa do rio. “A maioria se manifesta a favor da preservação, mas não toma atitude. As pessoas precisam se mobilizar, acionar o Ministério Público, participar mais das campanhas, cobrar das autoridades a proteção dos nossos recursos. Precisamos agir agora, pois não vai adiantar lamentar quando o rio e as matas deixarem de existir”, finaliza a ambientalista.