Filas na porta da Caixa prejudicam comerciantes itabiranos

A falta de organização e fiscalização tem causado problemas aos lojistas

Filas na porta da Caixa prejudicam comerciantes itabiranos
Foto Tatiana Linhares / Divulgação DeFato Online
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Desde o início da pandemia do novo coronavírus, os itabiranos vêm enfrentando sérios problemas em relação à lotação das agências bancárias. A movimentação intensa e o surgimento de grandes filas é consequência do grande aumento no número de beneficiários do auxílio emergencial.

Na manhã dessa quarta-feira, 14 de outubro, não foi diferente. Logo no começo da manhã, as filas na porta da Caixa Econômica Federal, na região central de Itabira, já estavam gigantescas.

Esse é um problema recorrente. Mesmo com as instituições financeiras sendo obrigadas a se adequarem aos protocolos de distanciamento social e uso obrigatório de máscara, o que se nota é o atraso e a demora nos serviços prestados. Isso faz com que os usuários fiquem horas aguardando atendimento.

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Relação com os lojistas vizinhos

Izadora Drumond Guerra Torres é proprietária de uma loja vizinha à Caixa. Ela conta que as filas que se formam na porta do banco não contam com nenhuma organização. “A fila dobra a esquina! As pessoas não obedecem o distanciamento, fecham a entrada das lojas e deixam lixo nas calçadas. Já tentamos sinalizar com cones, para que mantenham o distanciamento mínimo, e eles não respeitam”.

A empresária Michele Vasconcelos também é dona de um ponto comercial nas proximidades. “Apesar dos inúmeros pedidos e avisos, as pessoas sujam a fachada da loja ao apoiarem os pés na parede; jogam lixo nas calçadas; sentam na porta obstruindo a entrada, colocam som alto e falam palavrões”.

Os lojistas tem uma grande preocupação em relação aos seus negócios e aos danos causados, mas explicam que é impossível não se comover com a situação das pessoas na fila. “Chega a ser desumano fazer aquelas pessoas, que tanto precisam ficar nessa fila, esperarem por horas, debaixo do sol quente e sem água para beber. Tem idosos, mães com crianças de colo, gestantes”, conta Izadora.

Ela relata ainda que, muitas vezes, a relação entre os usuários do banco e os lojistas não é das melhores. “Muitos acham que não queremos eles na porta das lojas e não é isso. Muito pelo contrário! Tentamos ajudar sempre que possível. Damos água, permitimos o uso do banheiro… mas, infelizmente, muitos são grossos e não gostam quando pedimos licença para limpar a entrada da loja. Já passamos por agressão verbal, por exemplo”.

  • Fotos Izadora Drumond Guerra Torres

Busca por respostas

As filas não chamam atenção apenas por serem longas, mas também por não respeitarem o distanciamento social e causarem aglomerações. Em março deste ano, representantes da Prefeitura de Itabira, Câmara de Vereadores, Ministério Público, Polícia Militar e bancos se reuniram pra traçar estratégias e reforçar as medidas de segurança no acesso e interior das agências.

A promotora Silvia Letícia Bernardes Mariosi Amaral, representante do Ministério Público na época, chegou a emitir uma recomendação aos bancos para que adotassem medidas de prevenção contra o novo Coronavírus (Covid-19).

Os comerciantes próximos à Caixa tentaram contato com o banco por diversas vezes. “A pessoa que tive contato foi sempre muito solícita, mas nunca obtive retorno e nenhuma solução foi tomada até hoje. Já enviei, inclusive, uma reclamação para a ouvidoria do banco, por meio do site”, detalha Izadora.

A Prefeitura de Itabira esclareceu aos lojistas que os fiscais não podem punir ou multar pessoas físicas. “Falaram que para problemas como esse temos que chamar a polícia, mas não queremos chegar a este ponto. É simples de resolver! Basta manter um profissional lá, organizando, distribuindo senhas, controlando o fluxo”, fala Izadora.

De todo jeito, Izadora deixa claro que a Prefeitura foi acionada e que prometeu verificar a situação ainda essa semana. “Ele disseram que irão ver o que pode ser feito e que a Caixa já recebeu notificação e foi multada”, frisa Izadora. Michele reforça que nunca obteve respostas da Caixa. Quanto à Prefeitura de Itabira, “informaram apenas que não poderiam fazer nada, pois as pessoas da fila estavam em via pública. Mas acho que elas podem estar na calçada, em via pública, sem causarem danos ao patrimônio público e de terceiros”.

Nota da Caixa

A reportagem da DeFato Online procurou pela assessoria de comunicação da Caixa Econômica Federal. Em nota, eles informaram que o banco “realiza ações sistêmicas para melhorar o atendimento nas agências e oferecer um serviço de qualidade aos beneficiários. Entre elas, destacamos a implementação de calendários escalonados de saque do Auxílio e do FGTS Emergencial e a abertura de agências em alguns sábados”.

Eles tentaram tranquilizar os usuários explicando que o banco está preparado para receber o grande volume de usuários. “Não é preciso madrugar nas filas. Todas as pessoas que comparecem às agências no período compreendido entre 8h e 13h são atendidas no mesmo dia. Elas recebem senhas e, mesmo com as unidades fechando às 13h, o atendimento continua até o último cliente”.

Sobre os protocolos de prevenção à Covid-19, a Caixa esclareceu que “vem adotando diversas medidas para melhorar a segurança de todos os clientes, colaboradores e parceiros. O banco reforça que suas unidades seguem funcionando para atendimento presencial no interior das agências apenas para serviços sociais essenciais, como o saque sem cartão e senha de benefícios do INSS, saque do Auxílio Emergencial, Seguro Desemprego, Bolsa Família, Abono Salarial e FGTS, além de desbloqueio de cartão e senhas de contas”.

Nota da Prefeitura de Itabira

A Prefeitura de Itabira se manifestou por meio da Assessoria de Comunicação e esclareceu que a fiscalização de posturas municipais já se reuniu com todos os bancos, passando as recomendações de prevenção e proteção à covid-19.

“No caso da Caixa Econômica Federal, disponibilizamos o Ginásio Poliesportivo para o atendimento do auxílio emergencial e que, por opção da Caixa, foi usado somente uma vez. Todos os bancos que estão com aglomeração já foram notificados. A secretaria municipal de desenvolvimento urbano (SMDU) tem atuado na fiscalização diária do comércio em geral, com equipes de plantão na área urbana, agindo com eficácia e cumprimento da leis”.

Possíveis soluções

Izadora acha é fácil resolver os problemas, sobretudo se todas as partes envolvidas trabalharem juntas. “Penso que não adianta deixar as pessoas na rua, sem um mínimo de cuidado e ainda prejudicando os comércios em torno na agência. Se houvesse uma fila para entrar na minha loja, eu seria responsável por ela, e teria que organizar e arcar com as consequências! E porque a Caixa não tem essa obrigação? Sabemos que esse serviço é fundamental para a população e tem que ser feito. Mas precisa ser de forma organizada e sem prejudicar os demais”.

Para Michele, o banco deveria disponibilizar um funcionário para organizar a fila e prestar suporte aos usuários. “Os funcionários da postura, da Prefeitura de Itabira, precisam fiscalizar os cidadão no cumprimento das medidas sanitárias de distanciamento e uso obrigatória de máscara, bem como evitar o dano patrimonial de terceiros”.