Fim das buscas em São Sebastião do Rio Preto e fica faltando corpo de uma menina

Rio Preto, que teve a metade de sua extensão percorrida pelos bombeiros


No 16º dia após a tragédia que abalou São Sebastião do Rio Preto, ninguém mais procura o último corpo desaparecido, de uma menina de 12 anos, irmã, prima e sobrinha das vítimas sepultadas em 29 de março no cemitério local. A última viatura do Corpo de Bombeiros e mais seis soldados da corporação retornaram a Belo Horizonte na quinta-feira, 9 de abril.
 
Sebastianenses continuam abalados com a tragédia ocorrida na localidade de Rio Preto, a 7 quilômetros da sede e inconformados pelo fato de não ter a espécie de força-tarefa montada pela Polícia Militar, Corpo de Bombeiros de Itabira e Belo Horizonte, Defesa Civil do Estado e voluntários da comunidade encontrado a mais nova das vítimas. Nove pessoas, incluindo uma dona de casa que retornava de compras, vinham da sede do município, onde estudavam na Escola Estadual Odilon Behrens. O acidente se deu quando passavam numa ponte feita de manilha, sob a estrada. Por volta de 19h30, uma tromba d’água, que desceu pelo córrego Jardim, encontrando-se com outra exatamente no local, que vinha do córrego Barreiro, arrastou as quatro mulheres e o lavrador, tio de todas, que viera em socorro.
 
 A operação foi providenciada ainda na noite da catástrofe, mas teve início exatamente às 8 horas do dia seguinte, sexta-feira. Em seguida, chegaram reforços de Belo Horizonte e de cidades da região, bombeiros e PMs. Os corpos encontrados —   Geraldo da Silva Araújo, 38 anos; Imária Marinho Ferreira, 18; Alessandra dos Santos Silva Oliveira, 21 e Daniele Marinho Ferreira, 16 — foram sepultados no domingo, 29 de março, em cortejo acompanhado por cerca de 1,5 mil pessoas. Todos os corpos encontrados estavam em distância média de quatro a cinco quilômetros do local em que ocorreu o acidente.
 
FIM DAS BUSCAS
 
A pequena cidade, de 1.700 habitantes, uma das menores de Minas Gerais, tornou-se agitada durante 15 dias. Viaturas dos Corpos de Bombeiros de Itabira e Belo Horizonte, equipes da Defesa Civil do Estado e policiais militares da região se integraram a populares que, embora advertidos, também entraram em trabalho incessante. Um helicóptero do Corpo de Bombeiros auxiliou nas primeiras buscas. Equipamentos diversos, de barcos motorizados a pequenas canoas do pessoal da região, também foram usados.
 
Na tarde do dia 29, eram 23 bombeiros que se movimentavam no rio Preto, sendo um de Itabira — o 1º sargento Rui Bulhões — o restante de Belo Horizonte, do 1º e 3º Batalhão de Bombeiros, sob o comando do major Pedro Giovanni de Souza. Naquela data trocou-se o comando, com o retorno do major Giovanni a Belo Horizonte, assumindo o capitão Rômulo Costa.
 
Na tarde de quinta-feira, já em plena Semana Santa, os últimos bombeiros que ainda vasculhavam as profundezas dos rios Preto e Santo Antônio, numa extensão total de 35 quilômetros, até o município de Ferros, deixaram a cidade. O mistério do sumiço da menina se mistura a um outro, ocorrido há 24 anos, quando um rapaz de tradicional família da cidade também desapareceu no mesmo rio.