Flávio Bolsonaro se declara presidente eleito, muda carta para “líder do Brasil” e apaga publicação
Senador acusou o STF e o PT de fraude eleitoral sem apresentar provas e afirmou que liderará a oposição a Lula a partir dos Estados Unidos
Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado à Presidência da República, divulgou nesta quarta-feira (28) uma carta na qual se autoproclama “presidente eleito do Brasil” e acusa o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Partido dos Trabalhadores (PT) de supostamente articularem uma fraude eleitoral. Posteriormente, o senador alterou o texto, substituindo a expressão “presidente eleito” por “líder do Brasil”, e apagou a publicação.
A primeira versão do documento foi divulgada pelo influenciador digital Paulo Figueiredo e chegou a ser publicada nas redes sociais de Flávio. A assessoria do senador e seu coordenador de campanha, Rogério Marinho (PL-RN), foram procurados para esclarecer a autenticidade do documento, mas não haviam respondido até a divulgação das informações.
Flávio deixou o Brasil na terça-feira (27), apesar de ter sido intimado pela Polícia Federal a não sair do território nacional. Ele se deslocou inicialmente para a Argentina, de onde seguiu para os Estados Unidos. Na carta, ele agradeceu aos presidentes Javier Milei, da Argentina, e Donald Trump, dos Estados Unidos, pela ajuda. O senador também se referiu a Rogério Marinho como seu “candidato à Presidência do Senado”.
Na abertura da carta, Flávio afirma se dirigir aos brasileiros e à comunidade internacional como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Em seguida, sustenta que teria presenciado uma fraude eleitoral e atribui ao STF, em suposto conluio com o PT, a responsabilidade pelo resultado das urnas.
O senador questionou a continuidade da votação enquanto parte das urnas já estaria lacrada e afirma que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria recebido mais de 10 milhões de votos a mais entre o primeiro e o segundo turno. Flávio, porém, não apresenta provas que sustentem as acusações.
A carta também não menciona que a própria campanha do senador solicitou a prorrogação do horário de votação em 17 cidades, sob a justificativa de que as chuvas teriam dificultado o deslocamento dos eleitores.
Carta passou por alterações
O documento sofreu mudanças desde sua primeira divulgação. Na versão inicial compartilhada por Paulo Figueiredo, o brasão utilizado trazia a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, denominação adotada após a Proclamação da República, em 1889. Posteriormente, foi divulgada outra versão, com a inscrição “República Federativa do Brasil”, nome atual do país.
Em seguida, Flávio alterou o conteúdo da carta, retirando a expressão “presidente eleito” e passando a se apresentar como “líder do Brasil”. A publicação inicial foi apagada e, depois, o documento deixou de ser exibido nas redes sociais do senador.
A mudança ocorreu após Flávio afirmar, no domingo (25), que não reconheceria o resultado do segundo turno e que pediria a anulação da eleição. Na segunda-feira (26), depois de conversar com sua equipe jurídica, sua campanha informou que havia desistido de sustentar essa tese.
Na mesma segunda-feira, o PL reconheceu o resultado eleitoral. O partido, entretanto, não apresentou posicionamento sobre a carta em que seu candidato havia se autoproclamado presidente eleito.
Flávio diz ser perseguido político
Na carta, o senador se apresenta como vítima de perseguição política e afirma ter deixado o país para escapar do que classifica como um “regime de exceção”. Ele também faz referência à situação de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, ao alegar que estaria sujeito a restrições e censura caso permanecesse no Brasil. “Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil”, escreveu.
Flávio compara sua situação à de figuras políticas como Rui Barbosa, Charles de Gaulle, Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina Machado. Ele afirma que pretende liderar a oposição brasileira a partir dos Estados Unidos e convocar apoiadores para mobilizações contra o governo Lula.
“Liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr”, declarou.
O senador também afirmou que apresentará uma estratégia para mobilizar a oposição por meios que classificou como pacíficos e legítimos, com o objetivo de impedir que Lula consolide, segundo sua avaliação, um regime ditatorial no país.