Força do bloco médio da Premier League torna campeonato ainda mais emocionante

Equipes como Brighton, Bournemouth, Brentford e Crystal Palace estão incomodando cada vez mais o famoso Big Six

Força do bloco médio da Premier League torna campeonato ainda mais emocionante
Foto: Brentford/Twitter

Grandes craques, treinadores de peso, estádios lotados, gramados impecáveis… a Premier League não é considerada a principal liga nacional do planeta por acaso. Mas dentre todos esses atrativos, um merece ser destacado com atenção: a força do bloco médio do campeonato.

Equipes como Brighton, Bournemouth, Brentford e Crystal Palace estão incomodando cada vez mais o famoso Big Six. E a última rodada da competição — a quinta da atual temporada — reflete muito bem isso.

Na sexta-feira (18), o Brentford, do brasileiro Igor Thiago, simplesmente atropelou o forte Chelsea por 3 a 0. No sábado (19), outra força emergente da liga, o Aston Villa, bateu o Tottenham, fora de casa, por 3 a 2. No mesmo dia, o resultado mais impressionante da rodada: diante do seu torcedor, o ótimo Brighton aplicou um sonoro 3 a 0 no Arsenal, atual campeão da Premier League. E poderia ter sido mais…

Embora não tenham vencido seus jogos, Sunderland, Fulham e Bournemouth também incomodaram os gigantes Manchester City, Manchester United e Liverpool, respectivamente. Não existe jogo fácil na primeira divisão inglesa.

E o que explica isso? Seria simplista aliar apenas à forte grana injetada nestes e nos demais clubes da competição. É mais justo entender o que eles têm feito com esse dinheiro.

Brighton e Bournemouth, por exemplo, investem sempre pensando no futuro. Nas últimas temporadas, ambos apresentaram ao planeta bola talentos como Moisés Caicedo, João Pedro, Antoine Semenyo e Milos Kerkez, todos vendidos por quantias milionárias.

Com esse dinheiro e um trabalho de scout de altíssimo nível, os dois clubes se reinventam e fazem novas contratações com alto potencial de lucro. Uma forma de seguirem competitivos e estáveis financeiramente.

Outros clubes, como Fulham e Brentford, apostam em perfis mais experientes, mas se garantem, por exemplo, na escolha de técnicos alinhados ao projeto. É o caso de Keith Andrews, sucessor do ídolo Thomas Frank nos Bees. O Fulham, por sua vez, aposta no jovem Álvaro Arbeloa para dar sequência ao excelente trabalho feito pelo português Marco Silva, hoje no Benfica.

As escolhas dos professores, aliás, representam uma importante mudança desses clubes. Se antes a escolha geralmente era por treinadores mais cascudos, como Sam Allardyce, Steve Bruce e Chris Hughton, hoje a procura é maior por nomes mais jovens e atualizados. Fabian Hürzeler, Andoni Iraola e Pierre Sage são alguns dos principais exemplos.

O resultado dessa junção de fatores? Campanhas sólidas, estabilidade na Premier League, classificações para competições europeias e, em alguns casos, até títulos. Basta lembrar que os atuais campeões da Uefa Europa League e da Conference League são, respectivamente, Aston Villa e Crystal Palace.

O dinheiro ajuda? Muito. Mas os clubes ingleses aprenderam que saber utilizá-lo é ainda mais importante. Quando os nossos entenderão o mesmo?

Sobre o colunista

Victor Eduardo é jornalista e escreve sobre esportes em DeFato Online.

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