Forças Armadas não vão comemorar o dia 31 de março de 1964

A decisão foi aprovada pelo ministro da Defesa, José Múcio, após os acontecimentos do dia 8 de janeiro

Forças Armadas não vão comemorar o dia 31 de março de 1964
José Múcio apoiou a ideia de não comemorar o 31 de março – Foto: José Cruz/Agência Brasil

Com a mudança na presidência da República e no comando das Forças Armadas, o general comandante do Exército, Tomás Paiva decidiu não comemorar o dia 31 de março — em alusão à tomada de poder em 1964. A decisão foi aprovada pelo ministro da Defesa, José Múcio, após os acontecimentos do dia 8 de janeiro.

O parecer só veio após a destituição do general José Arruda. Tomás Paiva comunicou a decisão à alta cúpula do Exército ainda em janeiro, ocasião em que afirmou que não haveria sequer uma nota oficial a respeito sobre o período militar ou “ditadura”. As manifestações devem ficar restritas aos círculos militares da reserva, clubes e associações.

O consenso é que o assunto é demasiado sensível e pode provocar desgaste do governo com os militares. No entanto, petistas das diversas alas questionam essa decisão e pressionam para que o ministro da Defesa divulgue uma nota oficial em repúdio à ditadura militar.

José Múcio, a interlocutores, disse que que não vai abordar o assunto publicamente e não dará entrevistas a respeito. Em 2022, o Ministério Público Federal (MPF) pediu à justiça que retirasse, com urgência, uma nota distribuída pelo Ministério da Defesa
ao que denominou de “golpe militar”, ocasião em que completou 58 anos.

Walter Braga Netto, então ministro da Defesa, respondeu ao MPF que a ação dos militares na ocasião, “era um marco histórico da evolução política brasileira, pois refletiu os anseios e as aspirações da população da época”.

Antes do governo Jair Bolsonaro (PL), o Exército chegou a celebrar o aniversário da revolução de 1964 em diversos comunicados oficiais.

Em 2006, ainda no primeiro mandato de Luiz Inácio “Lula” da Silva (PT) como presidente, o comandante do Exército Francisco Albuquerque, disse que “o Exército deve se orgulhar do seu passado”.

“O 31 de Março insere-se, pois, na História da pátria, e é sob o prisma dos valores imutáveis de nossa Força e dinâmica conjuntural que o entendemos. É memória, significado à época pelo incontestável apoio popular, e une-se, vigorosamente, aos demais acontecimentos vividos, para alicerçar, em cada brasileiro, a convicção perene de que preservar a democracia é dever nacional”, finalizou o militar Francisco de Albuquerque.

Em 2011, com Dilma Rousseff (PT) presidente, foi determinado que as Forças Armadas não citassem mais a ditadura nas ordens do dia, chegando a vetar, nesse ano, uma palestra do general Augusto Heleno, que referendaria a data.

Fonte: Revista Sociedade Militar.