Garantia de água para os próximos 30 anos em Itabira
César Lopes: “Se Itabira quer crescer, quer expandir, trazer empresas, tem que ter estrutura”
Construção de uma estrutura de captação de água no Rio Tanque, que resolveria o problema de abastecimento de Itabira por 30 anos, e uma reestruturação total no atendimento ao consumidor são as principais metas do diretor-presidente do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), Gil César Lopes. Estas e outras informações, como aumento de tarifa de água e melhorias no abastecimento da região do bairro Santa Marta e Monsenhor José Lopes, estão na entrevista a seguir, concedida por César nesta terça-feira, 17 de março. Confira.
Quais métodos foram usados para definir o percentual de aumento da tarifa de água em Itabira?
Há dois anos não havia aumento. A proposta inicial era de 33% de reajuste, mas percebemos que era um valor muito alto e baixamos para 19%. Foi usado o Índice Geral de Preços de Mercado (IGPM), da Fundação Getúlio Vargas, e uma planilha de custos. Com a efetivação do funcionamento da ETE, os principais custos aumentaram significativamente para o Saae. A conta de luz por exemplo, em maio de 2007 era R$ 178 mil. Em fevereiro deste ano foi para R$ 199 mil. O gasto com produtos químicos, que era R$ 11.800, foi para R$ 45 mil; um aumento de 285%. A folha de pagamento também teve aumento por causa da contratação de mais funcionários para a ETE.
Mesmo com o aumento, os valores que o Saae de Itabira está cobrando estão bem menores do que de outras empresas do mesmo segmento em outras cidades. Em Itabira, por 15 metros cúbicos de água, o Saae cobra R$ 29,37, já com o aumento. Em Juiz de Fora, a mesma quantidade de água custa R$ 30,91; em Governador Valadares, R$ 38; e em Jaraguá do Sul, R$ 53,00. Então, Itabira está entre os municípios que cobra uma das taxas mais baratas.
É bom lembrar que o poder de investimento do Saae estava limitado e infelizmente, como é do conhecimento de todos, é de caráter urgentíssimo fazer investimento na captação de água, uma vez que principalmente na época de estiagem, a demanda é maior que a oferta.
O senhor disse na imprensa que a captação no Rio Tanque seria a principal obra de sua gestão. Gostaria que detalhasse o projeto.
Vemos que em toda estiagem Itabira tem passado por maus momentos. Está realmente faltando água na cidade e não é por problema de estrutura. É por falta de água mesmo. Minha ideia é conseguir, nesses quatro anos, discutir com o prefeito, com a Vale e outras entidades o futuro de Itabira com relação à água. Quando falamos de estrutura de crescimento, temos de pensar na base. Se Itabira quer crescer, quer expandir, trazer empresas, temos que ter estrutura. Meu objetivo é conseguir fazer essa captação no Rio Tanque para que nos próximos 30 anos Itabira não tenha mais problema de abastecimento.
Tem algum estudo sobre a viabilidade da obra?
Já tem um estudo feito desde 2007 pela Vale sobre o futuro do recuso hídrico de Itabira e todos os projetos levam ao Rio Tanque. O valor é estimado em R$ 70 ou R$ 80 milhões de reais. Já iniciei uma conversa com Rodrigo, [Rodrigo Chaves, gerente geral da Vale em Itabira] e com João [João Izael, prefeito de Itabira] e eles entendem a importância dessa obra.
O problema do bairro Santa Marta deve ser solucionado em quanto tempo?
Na verdade, o Santa Marta teve um aumento de 200 famílias – das casas populares – e da escola Nota 10. Então a região aumentou muito, mas o Saae já tinha entregue, no final de 2008, o reservatório de 300 mil litros que abasteceria a região. Agora vamos fazer uma adutora que vai ter 1.570 metros de rede para ligar a água a esse reservatório. O investimento é de R$ 280 mil, recurso do Saae, e a previsão é que a obra seja concluída em 30 dias. O bairro vai estar preparado para muitos anos. Hoje tem 900 casas na região, a estrutura é para 2.700.
De forma geral, quais são os projetos da organização para este ano?
Além do futuro recurso hídrico de Itabira, minha ideia é fazer com que o atendimento melhore. Vamos melhorar a estrutura que já tem com relação a atendimento, com equipes preparadas. Nossa ideia é fazer o caminho inverso: hoje a pessoa liga reclamando, mas vamos antecipar essas reclamações. Vamos descentralizar a informação e abrir para várias pessoas. Ao invés do cliente ligar reclamando, nós é que vamos ligar para o ele pra saber como está a qualidade da água, do hidrômetro, ou do esgoto. Se for fazer uma obra em determinada rua, com uma semana iremos informar todo o bairro que água vai ser desligada por uma ou duas horas. Vai ser um atendimento a altura da população.
Haverá novas contratações para essa mudança estrutural?
A princípio nós tentaremos fazer com a estrutura que o Saae tem hoje. Então esses são meus principais projetos: mudar a estrutura e fazer o caminho inverso do atendimento e garantir o futuro da água em Itabira para os próximos 30 anos.