Gestão Milei derruba exportações brasileiras em 18% para a Argentina
Em junho, as exportações somaram US$ 1,3 bilhão, frente a US$ 1,6 bilhão no mesmo mês do ano passado

As exportações brasileiras para a Argentina recuaram 18,1% nos últimos 12 meses, apesar de um momento em que a economia do país vizinho demonstra crescimento depois da forte recessão do primeiro ano do mandato de Javier Milei.
Os dados foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), indicando que o mercado argentino reduziu participação na pauta de exportação do Brasil, respondendo hoje por apenas 3,7% das vendas externas do país, apesar de manter ainda o terceiro maior destino das exportações brasileiras, atrás da China e Estados Unidos.
Em junho, as exportações somaram US$ 1,3 bilhão, frente a US$ 1,6 bilhão no mesmo mês do ano passado.
A indústria automotiva prossegue como maior elo entre as duas economias e explica boa parte da retração.
Veículos de passageiros são responsáveis por US$ 223 milhões das exportações brasileiras em junho, equivalente a 16,9% do total exportado à Argentina, também figurando como principais produtos vendidos autopeças, caminhões, veículos comerciais e máquinas elétricas.
A desaceleração da indústria argentina impactou as fábricas brasileiras, especialmente em São Paulo, Paraná e Minas Gerais.
Economistas atribuem a queda no comércio entre os dois países principalmente ao programa de ajuste da economia implementada pelo governo Javier Milei.
Desde que assumiu o governo argentino em dezembro de 2023, Milei promoveu um amplo corte de gastos públicos, eliminando subsídios, reduzindo ministérios, flexibilizando controles cambiais e adotando uma severa política monetária para conter a inflação.
A austeridade reduziu a inflação e restaurou parte da confiança dos mercados, mas, também provocou forte retração do consumo e investimento no decorrer de 2025.
Indicadores recentes mostram a retomada da atividade econômica, mas a demanda por importações permanecendo abaixo dos níveis anteriores à crise.
Relatórios recentes do Fundo Monetário internacional (FMI) e da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) indicam que a recuperação econômica argentina ocorre de maneira desigual, sobretudo pelo agronegócio e pelo setor de energia, enquanto segmentos ligados ao consumo doméstico apresentam fraqueza.
Enquanto as vendas brasileiras tiveram retração, as importações de produtos argentinos cresceram 3,8% em junho na comparação anual.
O resultado reduziu o superávit brasileiro na relação comercial bilateral.
O comércio entre os dois países é fortemente sustentado por acordos do Mercosul e pela relação das cadeias produtivas, especialmente no setor automotivo, fatores que tendem a reduzir o impacto imediato de crises diplomáticas sobre o fluxo de mercadorias.
Mesmo com a deterioração política, em face das recentes críticas de Milei ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante a convenção nacional do lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, no último dia 25, em São Paulo, especialistas em comércio exterior avaliam que o recuo das exportações brasileiras são o reflexo do ajuste econômico argentino e da menor demanda industrial.