Governo antecipa pagamento do Bolsa Família com reajuste a seis dias do 2º turno da eleição

Com a alteração publicada no Diário Oficial da União (DOU), os repasses foram concentrados entre os dias 19 e 21 de outubro

Governo antecipa pagamento do Bolsa Família com reajuste a seis dias do 2º turno da eleição
Beneficiários receberão o Bolsa Família nas vésperas do segundo turno- Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O governo federal antecipou o calendário de pagamentos do Bolsa Família de outubro de 2026, a 19,3 milhões de famílias beneficiárias com reajuste de 15,04% antes do segundo turno das eleições presidenciais.

O cronograma original previa que os repasses ocorreriam entre 19 e 30 de outubro.

Com a alteração publicada no Diário Oficial da União (DOU), os repasses foram concentrados entre os dias 19 e 21 de outubro, finalizando quatro dias antes do pleito de segundo turno, marcado para o domingo, 25 deste mesmo mês. A distribuição foi unificada com o final do Número de Identificação Social (NIS).

NIS final 1: segunda-feira, 19 de outubro

NIS final 2: terça-feira, 20 de outubro

NIS finais 3,4,5,6,7,8,9 e 0: Quarta-feira, 21 de outubro (pagamento unificado).

Este é o primeiro mês com reajuste acima da inflação, decretado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 17 de setembro, aumentando o piso mínimo por domicílio de R$ 600 para R$ 691, elevando o benefício médio nacional para cerca de R$ 782. Os adicionais também tiveram correções.

Crianças até 7 anos: passa de R$ 150 para R$ 173

Gestantes, lactantes e jovens (7 a 18 anos): passa de R$ 50 para R$ 58.

Justificando a antecipação, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) afirma que a antecipação se estenderá aos meses de novembro e dezembro, e adotada como medida preventiva para mitigar os impactos econômicos do fenômeno El Niño, salientando que os reconhecimentos federais da situação de emergência ou calamidade pública mais que dobraram em relação ao ano anterior, impulsionados por secas no Norte e Centro-Oeste e tempestades severas na Região Sul.

Analistas políticos avaliam que a medida acirrou o debate eleitoral na disputa presidencial entre Lula e seu opositor, o senador Flávio Bolsonaro (PL), e especialistas em direito eleitoral entendem que, embora o reajuste de programas já existentes não seja explicitamente proibido, a proximidade com o pleito e a alteração drástica nas datas abrem margem para questionamentos jurídicos por suposto desvio de finalidade ou abuso de poder político. Movimento similar ocorreu nas eleições de 2022, quando a gestão de Jair Bolsonaro também adiantou o calendário do Auxílio Brasil às vésperas do segundo turno.

*Fonte: UOL Notícias/Poder360