Trabalhadores da rede estadual de ensino de Minas Gerais decidiram entrar em greve a partir do dia 4 de março. A decisão foi tomada em assembleia realizada no pátio da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, em Belo Horizonte.
A mobilização reúne profissionais ligados ao Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG). A paralisação será por tempo indeterminado.
Segundo o sindicato, a medida ocorre após ausência de avanços nas negociações. Além disso, a categoria aponta perdas salariais acumuladas nos últimos anos.
Categoria pede recomposição e valorização
Entre as principais reivindicações está a recomposição salarial de 41,83%. O percentual busca recuperar perdas registradas entre 2019 e 2025.
A coordenadora geral do Sind-UTE/MG, Denise de Paula Romano, disse que a decisão da categoria é uma forma de resistência na luta por melhores salários e de trabalho.
“A partir do dia 4 de março, as escolas estaduais estarão fechadas. Professores (as) e funcionários (as) da educação pública estarão em greve por tempo indeterminado. Essa medida é necessária diante da grave defasagem salarial que reduziu nossos vencimentos em quase 42% ao longo dos últimos 8 anos”, salientou.
Denise Romano disse ainda que de acordo com a legislação, todo (a) trabalhador (a) da educação tem direito ao reajuste anual, estipulado pelo MEC. “No entanto, em Minas Gerais, esse direito vem sendo sistematicamente desrespeitado, resultando em perdas salariais que comprometem a dignidade dos profissionais e a qualidade da educação oferecida aos estudantes”, sublinhou.
“Além do calote no reajuste dos salários, enfrentamos aumento da carga de trabalho, redução de direitos e condições cada vez mais precárias para o exercício da nossa profissão”, concluiu.
Além do reajuste, os trabalhadores pedem valorização da carreira. Também solicitam revisão de medidas que impactam a Educação de Jovens e Adultos (EJA) e os Centros Estaduais de Educação Continuada (CESECs).
Ainda conforme o sindicato, o pedido considera o novo Piso Salarial Profissional Nacional do Magistério para 2026. Dessa forma, a categoria defende a aplicação do reajuste anual previsto em lei.
Diretrizes da Secretaria ampliam debate
Paralelamente à mobilização, a Secretaria de Estado de Educação apresentou prioridades para 2026 durante sabatina na Assembleia. Entre os pontos estão a expansão do ensino profissionalizante e a defesa do modelo de escolas cívico-militares.
Além disso, a pasta indicou revisão de políticas voltadas à EJA, incluindo o funcionamento dos CESECs. Assim, o debate sobre mudanças estruturais ocorre ao mesmo tempo em que cresce a pressão por valorização dos profissionais.
Para representantes dos trabalhadores, esse cenário aumenta a preocupação com a organização da rede. Por isso, a categoria cobra diálogo formal com o Estado.
Governo é procurado
Diante do cenário, a reportagem do Portal DeFato Online e da Rádio Caraça FM solicitou posicionamento do Governo de Minas Gerais. O pedido inclui informações sobre possível abertura de negociação e previsão de reajuste em 2026.
Também foram solicitados esclarecimentos sobre a posição do Estado em relação aos CESECs e a eventuais alterações na EJA. Além disso, a reportagem questionou como a gestão pretende conciliar mudanças estruturais com as demandas dos profissionais.
Até a publicação desta matéria, o Governo de Minas não havia se manifestado. O espaço segue aberto para posicionamento.

