Holandeses realizam protestos violentos contra toque de recolher

Há três noites manifestantes protestam contra primeiro toque de recolher no país desde a 2ª Guerra. A intenção combater a pandemia de Covid-19

Holandeses realizam protestos violentos contra toque de recolher
Foto: Lusa

Desde a noite de sábado (23), as cidades de Amesterdã e Eindhoven, na Holanda, enfrentam uma onda de protestos. Várias pessoas foram às ruas para se opor às novas medidas de confinamento que visam conter a progressão do novo coronavírus nos Países Baixos. Porém, as manifestações não foram pacíficas.

Assim, os manifestantes saquearam lojas e provocaram vários incêndios. A polícia, que vem usando canhões de água para dispersar os protestantes, chegou a deter 240 pessoas na noite de domingo (24).

As manifestações começaram depois de o governo holandês ter anunciado novas medidas de confinamento, entre elas o toque de recolher noturno obrigatório, que deve durar até 9 de fevereiro. A medida foi recebida como uma ofensa pelos holandeses, já que é a primeira no país, desde a Segunda Guerra Mundial, que esse tipo de medida é adotado.

O toque de recolher obrigatório noturno proíbe a circulação de pessoas e o funcionamento do comércio entre 21h e 4h30. Quem descumprir terá que pagar multa de 95 euros. O presidente da Câmara de Eindhoven chegou a afirmar que os estragos causados pelos manifestantes foram enormes. “Essas pessoas estão completamente perturbadas. Isso foi violência excessiva”, afirmou John Jorritsma.

Estragos

Na vila de Urk, a 80 quilômetros da capital, um centro de testes de Covid-19 foi incendiado na noite de sábado. O motivo do ataque foi a prisão de 25 pessoas e a autuação, com multa, de outras 3.600 que violaram o toque de recolher, em todo o país. O presidente do Conselho de Segurança Nacional, Hubert Bruls, disse que compreende a frustração dos manifestantes, mas lembra que se a medida for cumprida agora, a liberdade virá mais cedo.

O primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, condenou os protestos das últimas noites no país e defendeu a atuação das autoridades policiais. “É inadmissível. O que passou pela cabeça dessas pessoas? Os protestos são um ato de violência criminosa e que nada tem a ver com a luta pela liberdade”.

A tropa de choque da polícia, nessa segunda-feira (26), que recorreu ao uso de jatos d’água, entrou em confronto com grupos de manifestantes na cidade portuária de Roterdã, assim como na pequena cidade de Geleen (sul), perto de Maastricht, reportaram a polícia e meios de comunicação.

Mesmo com mais de 180 pessoas detidas durante os protestos, imagens publicadas nas redes sociais flagram um grupo de pessoas saqueando uma loja em Bolduque. Além disso, um fotógrafo foi agredido com uma tijola na cabeça, em Harlem, vítima de uma multidão enfurecida que o perseguiu.

Em Haia, a tropa de choque também entrou em confronto com os manifestantes e fez detenções, embora não tenha sido informado o número exato. Cidades como Breda, Arnhem, Tilbourg, Enschede, Appeldoorn, Venlo e Ruremond também tiveram pequenos protestos após os prefeitos anunciarem que vão adotar medidas de emergência para tentar evitar os contágios por Covid-19.

Medidas restritivas

Mark Rutte recordou, ainda, que 99% da população cumpre as mediadas de confinamento impostas. Os bares e restaurantes em todo o país estão fechados desde outubro. As escolas e o comércio não essencial não abrem as portas desde dezembro. Os voos provenientes do Reino Unido, da África do Sul e América do Sul estão proibidos, com o objetivo de conter a entrada das novas variantes no país.

Desde o início da pandemia, os Países Baixos já registraram 944 mil casos de infecção pelo novo coronavírus e 13.464 mortes.

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