Homem fica preso por seis dias por crime que não cometeu
Marcelo ficou detido injustamente por seis dias no presídio de João Monlevade
Um homem de 43 anos deixou o presídio de João Monlevade na última segunda-feira, 13 de janeiro, depois de ficar detido por seis dias por um crime que não cometeu. O técnico de planejamento Marcelo Xavier Aquino só foi liberado depois que conseguiu documentos que comprovam sua inocência. Fora da cadeia, ele diz que começa a tremer quando vê uma viatura policial.
Marcelo foi preso no dia 7 de janeiro, por acusação de roubo. Ele dividiu uma cela no presídio com outros 22 detentos, quando conheceu de perto a situação da carceragem. “Não existe um lugar daquele, não. Eu nunca esperava passar por uma situação dessas”, disse, em entrevista ao site O Popular, de João Monlevade.
O crime atribuído a Marcelo foi cometido em Juiz de Fora, no dia 14 de novembro de 2013. A acusação é de roubo em um supermercado. Mas o delito teria sido cometido pelo primo do acusado, Gilberto Nonato de Aquino, que se passou pelo parente. O homem ficou preso por três dias, depois pagou fiança. Na sequência, um mandado foi expedido e ficou em aberto.
Prisão
No dia 7 de janeiro, Marcelo precisou ir à Polícia Civil para registar uma ocorrência de acidente de trânsito. No dia 2, ele bateu com uma caminhonete da empresa Manserv, onde trabalha, em um caminhão da mesma firma. Para ter direito ao seguro, os patrões solicitaram que o técnico registrasse ocorrência policial. Como já tinham passado cinco dias, o documento só poderia ser retirado na Delegacia.
Porém, durante a confecção do boletim de ocorrências, os policiais civis encontraram o mandado de prisão em aberto. Mesmo dizendo que a última vez que esteve em Juiz de Fora foi em 2004, Marcelo foi algemado e levado para o presídio.
Desde então, sua família travou uma luta para provar sua inocência. Um advogado foi contratado e conseguiu documentos que provam que Marcelo estava em João Monlevade no dia do crime que ocorreu em Juiz de Fora. Quando aconteceu o roubo, o técnico estava realizando exames médicos para a empresa, onde trabalha há muito tempo. A firma forneceu comprovantes do registro de ponto como comprovante de que o acusado estava trabalhando nos dias em que suspostamente esteve preso na Zona da Mata.
Medo
Mesmo depois de comprovar a inocência, Marcelo está proibido pela Justiça de deixar a cidade sem comunicar as autoridades judiciais. Ele também não pode estar nas ruas depois das 22 horas. “Agora tenho que pagar advogado para provar algo que não fiz. Para a Justiça, eu sou o cara que cometeu o crime lá, e eu que tenho que provar minha inocência. A minha esposa está traumatizada e eu começo a tremer quando vejo uma viatura da polícia ou do Sistema Prisional. Assim como fui preso injustamente, outras pessoas também passam, ou já passaram por isso”, desabafou.