Hospital do Animal de Itabira registra quase 40 casos de cinomose em 10 dias 

O frio, que favorece os surtos de quadros respiratórios, e a baixa cobertura vacinal em nossa região, formam o contexto ideal para o aumento dos casos

Hospital do Animal de Itabira registra quase 40 casos de cinomose em 10 dias 
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Você sabia que a cinomose é uma doença altamente contagiosa que costuma aparecer nas épocas frias do ano? A letalidade do vírus é alta e quando não leva o cãozinho (e outros animais silvestres) a óbito, pode causar diversas sequelas. Somente nos últimos 10 dias, o Hospital Animal de Itabira registrou cerca de 40 casos de cinomose na cidade, onde quase metade dos animais já vieram a óbito. Diante da situação, médicos veterinários reforçam o apelo para a vacinação dos pets, o tratamento mais eficaz contra a doença. 

A cinomose é uma doença de grande risco para cachorros não vacinados ou imunodeprimidos, como pets em idade avançada, gestantes, filhotes e portadores de doenças crônicas. Outro grupo de risco bastante importante são os animais comunitários que convivem em grandes grupos e animais em situação de rua. A doença não é uma zoonose, ou seja, não infecta os seres humanos. Além dos cães, a cinomose também pode acometer animais silvestres como tamanduás e lobos, além de grandes felinos, como tigres e leões. No entanto, a doença não atinge os gatos domésticos.

A médica veterinária Kamilla Soares, do Hospital Animal de Itabira, explica que os principais sintomas da cinomose são: secreção ocular, tosses e espirros, secreção nasal que pode ser purulenta, diarreia (frequentemente contendo sangue), vômitos, anorexia e prostração, e por fim os sinais neurológicos, como perda de força nos membros, desorientação, tremores musculares localizados, convulsões, entre outros.

O fato do vírus ser altamente contagioso, presente em secreções, urina e aerossóis, facilita muito a transmissão, sendo que o contágio por animais conviventes, ou que passeiam pelos mesmos locais, seja praticamente certeiro. 

‘‘Por isso a vacinação contra a cinomose é essencial. Uma vez doente não existe um tratamento garantido contra o vírus. Da mesma forma que na COVID, contamos com as vacinas e, nos doentes, o tratamento de suporte para dar condições do organismo responder’’, afirma.

A vacina múltipla V8, V10 ou V11 é aplicada em três doses, com intervalos de três a quatro semanas entre elas, mais uma dose de reforço anual. É recomendado que a primeira dose da vacina seja aplicada após os primeiros 45 dias de vida do pet, com intervalo de 21 a 30 dias entre as aplicações.

Cenário crítico

De acordo com a médica veterinária, o aumento do número de diagnósticos positivos da doença se deve ao clima da estação, já que o frio favorece os surtos de quadros respiratórios. Junto a isso, a baixa cobertura vacinal em nossa região e o acesso à rua pelos cães não imunizados, formam o contexto ideal para um surto.

Segundo Kamilla, espera-se – seguindo o tratamento suporte – a sobrevivência de cerca de 30% a 50% dos quase 40 casos já confirmados da doença nos últimos dias: ‘‘Os filhotes e imunodeprimidos têm um prognóstico muito, muito ruim. É uma doença que não joga para perder’’, desabafa.

‘‘Muitos já vem muito ruinzinhos, resgatados das ruas em estado crítico. Alguns não respondem bem ao tratamento, e parte dos tutores responsáveis optam pela eutanásia pensando em poupar o sofrimento do pet ou por não dispor de recursos para o tratamento. É uma situação muito delicada tanto para nós quanto para o tutor’’

A médica veterinária afirma que se sente impotente diante da crescente dos casos e faz um apelo para os tutores redobrarem os cuidados com os pets. 

Meu pet está com a doença, o que fazer?

Em caso de diagnóstico positivo existe a possibilidade de internação, que geralmente é feita em Belo Horizonte. Poucas clínicas da região se adaptaram para receber pacientes isolados no nível de biossegurança exigido para a cinomose. A maioria dos tutores opta por seguir o tratamento a domicílio pela dificuldade de deslocamento, então é prescrito um tratamento suporte contendo anti-inflamatórios, nutracêuticos, alimentação específica e antibióticos para tratar a pneumonia e a translocação bacteriana intestinal. 

Alguns pacientes podem ter úlceras de córnea profundas, pústulas e lesões de pele, que receberão o tratamento adequado de acordo com a necessidade. Algumas alterações como aumento da espessura da pele do focinho e coxins não requerem tratamento específico, mas o uso de emolientes e tendem a melhorar com o tempo nos animais curados.

Nos casos dos animais que se curam mas mantêm sequelas, existem recursos para proporcionar qualidade de vida através fisioterapia e tratamentos complementares como a acupuntura, laserterapia e fitoterapia. Recentemente se tornou uma realidade a terapia com células tronco mesenquimais, uma opção terapêutica para os tutores que tem a condição de oferecer um tratamento mais avançado.