“Sem fraquejar: estamos preparados para enfrentar a pandemia”, afirma diretor técnico do Hospital Margarida

Marcos André conversou com a DeFato, e relatou os desafios dos profissionais do Margarida, que presenciaram, até esta data, a recuperação de todos os pacientes internados com coronavírus

“Sem fraquejar: estamos preparados para enfrentar a pandemia”, afirma diretor técnico do Hospital Margarida
O diretor técnico, Marcos André, relata o dia a dia no HM – Foto: Divulgação

Os boletins informativos das prefeituras sobre o coronavírus destacam sempre os números de pacientes confirmados e recuperados, além dos casos suspeitos e descartados. Mas, por trás dessas informações, há aqueles pacientes que travam uma batalha contra o covid-19. E há também os profissionais de saúde, que auxiliam nessa luta. No caso do Hospital Margarida, em João Monlevade, a batalha vem sendo vencida. Todos os pacientes diagnosticados com coronavírus, que passaram pelo hospital, foram recuperados. E é sobre isso que a DeFato conversou com o diretor técnico do hospital, o médico Marcos André Câmara. Inclusive ele é o autor do vídeo que ganhou repercussão nacional, sobre a saída de Sérgio Paulo Gomes, de 66 anos, internado no CTI por 21 dias, devido o coronavírus. Clique aqui para conferir a matéria completa sobre o assunto e ver o vídeo emocionante.

Hospital Margarida, em João Monlevade – Foto: Cíntia Araújo/DeFato Online

O Hospital Margarida é referência na microrregião de João Monlevade, no que diz respeito às internações de pacientes com covid-19. Isso quer dizer que pacientes que testarem positivo para coronavírus em Monlevade, Rio Piracicaba. São Domingos do Prata, Bela Vista de Minas e Nova Era e necessitarem de internação, serão recebidos no Margarida. Com essa responsabilidade, a equipe de profissionais do hospital tem recebido treinamento e capacitações contantes, desde o responsável pela limpeza, até o médico que acompanha o paciente. “A população tem nos ajudar, seguindo as normas de saúde. Mas sem fraquejar: estamos prontos para enfrentar a pandemia”, destacou o médico.

Para exemplificar a melhoria na infraestrutura, feita a partir da doação de empresas do município, Marcos André citou que foram montados 10 leitos de CTI exclusivos para pacientes com covid-19, além de 14 de enfermaria. Todo o aparato, somado à capacitação dos profissionais, fez com que todos os pacientes internados com coronavírus no Margarida fossem recuperados. Além disso, o hospital não registrou, até a data desta reportagem, nenhum óbito por covid-19, motivo para comemoração do médico. “Não se trata de João Monlevade. Somos o hospital referência na região e não termos registrado nenhum óbito por covid-19 é motivo de comemoração”, destacou.

Dia a dia

Marcos André mostra roupa específica usada por médicos para tratamento de paciente com coronavírus – Foto: Divulgação

Sobre o dia a dia da equipe que trata dos pacientes com coronavírus, Marcos André informou que o Hospital Margarida oferta todos os EPIs aos profissionais de saúde. E são apenas estes profissionais que têm contato com o paciente. Como determinado pelas normas sanitárias, não é permitido visita ao internado com covid-19. “Pelo isolamento, sempre buscamos humanizar o atendimento. Informamos à família do paciente diariamente por telefone sobre a evolução do quadro dele. E repassamos ao internado sempre que um parente manda um abraço, um beijo, diz que está com saudades. É importante essa humanização”, disse.

Outro fator que é observado é que o paciente tenha acompanhamento psicológico, em especial devido ao isolamento. “As roupas de cama dos leitos de pacientes com coronavírus são lavadas em separado, bem como todo utensílio usado em sua alimentação. O isolamento total é necessário, mas é frio. Buscamos humanizar como podemos, mas essa humanização nunca irá se sobrepor à técnica e ao rigor de seguirmos as normas de saúde”, enfatizou Marcos André.

Leitos ocupados e comércio

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Justamente por ser referência regional, Marcos André explica a relação de ocupação dos leitos preparados para pacientes com coronavírus no Hospital Margarida e a abertura do comércio. A taxa de ocupação desses leitos é a condicionante para o funcionamento do comércio. Isso quer dizer que quanto mais pessoas com coronavírus estiverem internadas no Margarida, maior a possibilidade de fechamento das lojas em Monlevade. “A ocupação não é apenas por pessoas de Monlevade. Nossos leitos podem estar ocupados por pacientes de cidades vizinhas, que ainda assim influencia no comércio local”, explicou Marcos André.

Ainda sobre isso, o médico enfatiza:  “A taxa de ocupação dos nossos leitos é uma condicionante para o funcionamento do comércio, mas não para que a população deixe de seguir as orientações de saúde. Usar máscaras, manter distância entre as pessoas, fazer a higienização das mãos e sair de casa apenas quando necessário são fatores que permitem mantermos nossos leitos à disposição”, enfatizou o diretor técnico.

Redução do número de atendimento

O tratamento de pacientes com coronavírus é novidade para os profissionais de saúde. Assim, o Hospital Margarida busca manter uma equipe fixa para lidar com os pacientes, mas quando é necessário substituir alguém, há pessoal qualificado, afirma Marcos André. O diretor técnico ainda lembrou que os demais atendimentos e tratamentos seguem ininterruptos na casa de saúde. “Por isso é preciso dessa conscientização do cidadão em não se expor ao vírus e ainda, buscar atendimento no hospital somente quando necessário”, explicou.

Essa conscientização vem surtindo efeito. Segundo Marcos André, foi diagnosticado pela equipe a redução de pessoas que buscam atendimento no Hospital Margarida. “O local onde se tem maior probabilidade de se contrair o coronavírus é o hospital. Por isso esse receio”, explicou. Assim, médico pede que o cidadão priorize o atendimento nos postos de saúde do município, antes de se direcionarem ao Margarida.

Por fim, Marcos André deixa uma mensagem à população. Confira:

 

 

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