Hospital Margarida: provedor vai a Câmara para discutir contratação de médico que virou processo judicial

Plenário da Câmara tinha a presença de muitos funcionários da casa de saúde

Hospital Margarida: provedor vai a Câmara para discutir contratação de médico que virou processo judicial
José Roberto lamentou ter de usar a tribuna da Câmara para resolver questão interna do hospital – Fotos: Cíntia Araújo/DeFato Online

Uma situação nada típica aconteceu na reunião ordinária da Câmara de João Monlevade, nesta quarta-feira, 14. Além de funcionários do Hospital Margarida ocuparem boa parte do Plenário, o provedor da casa de saúde, José Roberto Fernandes, utilizou a tribuna popular para falar sobre a contratação de um médico na clínica de urologia. Isso porque, conforme noticiado pela DeFato, o caso foi parar na Justiça, já que os médicos Getúlio Garcia e Jamilton Dias entraram com Mandado de Segurança, alegando que a indicação do profissional pela Administração do hospital fere o regimento interno da instituição. Desta forma a contratação não foi efetivada.

Funcionários do hospital ocuparam boa parte do Plenário

Em sua fala, José Roberto destacou que não estava ali para se defender, mas sim defender a causa. “Temos uma alta demanda por cirurgia nesta área. Este provedor conseguiu um acordo para que a Prefeitura de João Monlevade arcasse com os valores dos materiais, que o SUS não paga.  Abrimos a discussão com as secretarias de municípios vizinhos para participar do custeio para que as cirurgias fossem feitas. Mas um trabalho de três anos caiu por terra porque utilizaram a oportunidade para processar este provedor”, disse o empresário.

Ainda segundo o provedor, chegou informação a ele de que teriam manifestado que aceitavam o médico, se ele não levasse a situação para a Câmara. “Mas não houve mudança no processo na Justiça. Temos uma demanda de 179 cirurgias reprimidas na região, justamente por faltar profissional para atender a todos” declarou José Roberto. O empresário destacou ainda que o médico que entraria na clínica de urologia já trabalha no Hospital Margarida. “O profissional em questão já está incluso na clínica cirúrgica, ou seja, não se tratava de uma figura estranha ao hospital”, justificou o empresário.

Vereadores se manifestam

Outro ponto interessante durante a reunião ordinária. O vereador Toninho Eletricista (PHS), pediu que o presidente concedesse mais tempo ao José Roberto, que só poderia falar por 10 minutos conforme previsto no Regimento Interno, para que o assunto fosse mais discutido e os vereadores pudessem se manifestar. Isto porque, segundo Toninho, a situação é extremamente importante. Não há uma prerrogativa semelhante no Regimento Interno da Casa, então Leles Pontes (PRB), submeteu o pedido ao Plenário, que votou favorável.

Em suma, os vereadores perguntaram o que é preciso fazer para que o médico passe a trabalhar no Hospital Margarida. José Roberto explicou que primeiramente, o juiz terá que se manifestar, já que caso virou processo. Depois, os médicos aceitarem este profissional na clínica.

João Monlevade como polo regional de saúde

Prefeito de São Domingos do Prata manifesta apoio ao provedor do Hospital Margarida

Ainda durante sua fala, José Roberto destacou que a demanda reprimida pelas cirurgias não corresponde apenas a Monlevade. O atendimento, bem como custeio das cirurgias de urologia seriam dividido entre os municípios de Nova Era, São Domingos do Prata, Bela Vista de Minas e Rio Piracicaba. Neste momento, o prefeito de São Domingos do Prata, José Alfredo Pereira (PP), que foi à reunião a pedido do provedor, apresentou um documento em que se comprometia a ratear com os custos citados pelo hospital.  Os vereadores reforçaram que acompanharão o caso de perto, em especial os da Comissão de Saúde.