Hospital Regional de Divinópolis avança no papel, mas ainda não tem data para começar a funcionar
Unidade com 202 leitos deve atender 54 municípios do Centro-Oeste de Minas, mas funcionamento ainda depende da conclusão de etapas estruturais e administrativas

A sanção da lei que autoriza a doação do imóvel do Hospital Regional de Divinópolis (HRDV) representa um avanço jurídico em um projeto aguardado há mais de dez anos no Centro-Oeste de Minas Gerais. Apesar disso, o hospital ainda não tem data para entrar em operação. O início do atendimento depende de etapas administrativas e estruturais que seguem pendentes.
O governo de Minas sancionou, nesta segunda-feira (12), o projeto de lei que autoriza o Executivo a doar o imóvel à Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). O governador Romeu Zema (Novo) assinou a sanção durante reunião com o deputado estadual Eduardo Azevedo (PL). A medida, no entanto, não conclui a transferência do imóvel, que ainda aguarda formalização legal.
O processo de doação começou em outubro de 2025 e deve ser finalizado nas próximas semanas. Somente após essa etapa será possível avançar na compra de equipamentos, na contratação de serviços e na definição operacional da unidade hospitalar.
Estrutura construída, mas ainda incompleta
O prédio destinado ao Hospital Regional de Divinópolis foi construído com recursos públicos e está avaliado em aproximadamente R$ 184 milhões. A estrutura possui 16.761 metros quadrados de área construída, em um terreno de mais de 53 mil metros quadrados.
Apesar de estar praticamente concluído, o complexo ainda precisa de intervenções finais. Técnicos apontam a necessidade de ajustes estruturais e da preparação dos ambientes para receber equipamentos de média e alta complexidade. Sem essas adequações, o hospital não pode iniciar o atendimento.
Recursos garantidos, mas sem cronograma público
Para viabilizar essas adequações, o projeto prevê R$ 40 milhões oriundos do acordo judicial firmado após o rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho, em 2019. O recurso está assegurado, mas o governo estadual ainda não divulgou um cronograma detalhado para a execução das obras.
A ausência de prazos públicos mantém a incerteza sobre quando o hospital poderá, de fato, funcionar. Gestores municipais da região acompanham o processo com cautela diante do histórico de atrasos do projeto.
Gestão depende da conclusão da doação
A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), vinculada ao Ministério da Educação, deverá assumir a gestão do Hospital Regional de Divinópolis. O modelo foi definido em um Acordo de Cooperação Técnica firmado em fevereiro de 2025 entre a Ebserh, a UFSJ e o governo de Minas.
Nos hospitais universitários federais, a Ebserh só assume a administração após a entrega completa da estrutura e a formalização da cessão ou doação do imóvel. Em Divinópolis, essas etapas ainda não foram concluídas, o que impede o avanço da gestão.
Hospital deve ampliar atendimento de média e alta complexidade
Quando entrar em funcionamento, o Hospital Regional de Divinópolis deverá contar com 202 leitos. A estrutura inclui UTIs adulta e neonatal, leitos de internação, observação e cuidados intermediários.
A unidade também prevê centro cirúrgico completo, atendimento obstétrico de alto risco e centro de parto normal. Entre as especialidades planejadas estão cardiologia, neurologia, ortopedia, traumatologia, cirurgia vascular, urologia e saúde mental.
A expectativa é reduzir a dependência da região por vagas em Belo Horizonte e em outros grandes centros. Hoje, casos de média e alta complexidade pressionam o sistema estadual de regulação.
Impacto direto para 54 municípios do Centro-Oeste
O Centro-Oeste de Minas reúne municípios com crescimento populacional e oferta limitada de serviços hospitalares especializados. Muitos pacientes enfrentam filas para cirurgias eletivas, internações complexas e atendimento neonatal de risco.
Com o hospital em operação, a região poderá contar com uma unidade de referência para o SUS. A medida tende a aliviar a sobrecarga de hospitais municipais e filantrópicos, que hoje absorvem demandas além da capacidade.
Especialistas em saúde pública alertam, porém, que a efetividade do hospital dependerá do custeio contínuo, da contratação de profissionais e da integração com a rede regional de atenção à saúde. Esses pontos costumam ser gargalos em hospitais regionais do estado.
Histórico de atrasos ainda gera desconfiança
O Hospital Regional de Divinópolis foi anunciado há mais de uma década e acumulou paralisações, revisões contratuais e indefinições administrativas. A sanção da lei representa um passo legal importante, mas não elimina o histórico de atrasos.
O governo de Minas informa que outros hospitais regionais, como os de Sete Lagoas, Governador Valadares e Conselheiro Lafaiete, têm previsão de conclusão até o fim de 2026. Para Divinópolis, no entanto, o Executivo ainda não apresentou um prazo oficial para o início do atendimento.
Enquanto isso, a população do Centro-Oeste mineiro segue à espera de que o hospital deixe de ser promessa e passe a integrar, de fato, a rede do SUS na região.