I Jornada Jurídica de Itabira se encerra com debates relevantes e ampla adesão do público
Evento reuniu especialistas, representantes da OAB e público expressivo em dois dias de diálogos sobre os desafios contemporâneos da advocacia

A I Jornada Jurídica de Itabira chegou ao fim na noite desta terça-feira (5), após dois dias de programação sediados no teatro da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade, com debates sobre os caminhos da advocacia e os desafios contemporâneos da profissão. O evento foi promovido pelo Sindicato Metabase de Itabira, em parceria com a 52ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Itabira.
Na abertura, realizada na segunda-feira (4), o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça e o procurador-geral da OAB Federal, Sérgio Leonardo, foram os principais nomes. A mesa de abertura também contou com representantes da 52ª Subseção da OAB e do Sindicato Metabase.
Em sua fala, André Mendonça falou sobre liderança e defendeu a integridade como valor essencial para quem ocupa cargos de decisão. “Paga-se um preço por ser correto. O líder verdadeiro se limita voluntariamente em nome de princípios. Você pode até vencer algumas batalhas usando outros meios, mas não será duradouro. É preciso jogar com as armas certas”.
O presidente do Metabase Itabira André Viana avaliou o evento como um marco para a cidade. “Iniciamos com uma abertura espetacular e encerramos com uma noite ainda mais completa, marcada por perguntas e debates. A repercussão foi extremamente positiva”, afirmou.
Para a presidente da OAB Itabira, Patrícia de Freitas, o evento dialoga com a realidade local. “Foi um momento muito importante para pensarmos o Direito de forma próxima à vivência da cidade. Os participantes já saíram pedindo novos eventos, o que mostra o sucesso da iniciativa”, avaliou.
O segundo dia de evento concentrou reflexões diversas, começando com a mineração, pilar econômico da cidade e foi debatida na palestra de Eduardo Couto, presidente da Comissão de Direito Minerário da OAB Nacional. Ele defendeu a atualização da legislação ambiental e o papel da advocacia na construção de modelos mais sustentáveis. “Mineração e sustentabilidade não são ideias opostas. Elas devem caminhar juntas”, explicou.
Gustavo Chalfun, presidente da OAB-MG, destacou a importância de adaptar a advocacia às mudanças tecnológicas sem perder o foco na dimensão humana. “A inteligência artificial deve somar esforços à prática diária da advocacia, especialmente no apoio à jovem advocacia”, afirmou à DeFato.
A temática da saúde do trabalhador ganhou espaço na fala de Carolina Quinelato, que chamou atenção para o aumento de doenças psicossociais ligadas ao ambiente corporativo. Ela lembrou que, a partir de 2026, empresas serão obrigadas a adotar medidas para proteger a saúde mental e física dos seus colaboradores. “As empresas precisam vestir a camisa e cuidar do seu ativo mais importante: o ser humano”, pontuou.
Já Rafael Grassi, especialista em Direito Coletivo do Trabalho, destacou o protagonismo histórico dos trabalhadores na construção jurídica e defendeu a negociação coletiva como instrumento essencial. “Nós, do Direito do Trabalho, fazemos leis. É uma construção jurídica feita por empresas e sindicatos”, disse.
Também presente, o professor André Teixeira falou sobre os impactos da inteligência artificial nas contratações e destacou o avanço dos modelos de trabalho sem vínculo empregatício. “O fenômeno da terceirização de pessoas físicas, como prestadores de serviços autônomos, é o que mais impacta atualmente”, afirmou.
Ao final das atividades, a organização reforçou a intenção de tornar a Jornada Jurídica um evento permanente no calendário da cidade. A próxima edição, segundo os organizadores, deve incluir novos temas e ampliar o diálogo com a comunidade jurídica regional.




