II Seminário de Psicologia da Funcesi chega ao fim com debates sobre literatura e bem-estar coletivo
Encontro reuniu 250 participantes e discutiu temas interdisciplinares envolvendo saúde, educação, direito e serviço social em Itabira

O II Seminário de Psicologia da Funcesi foi encerrado na noite desta quinta-feira (28), em Itabira, após dois dias de debates que reuniram cerca de 250 inscritos entre estudantes, profissionais e comunidade. A programação da noite de encerramento trouxe mesas redondas, conferências e oficinas que abordaram desde saúde mental nas organizações até o papel da literatura como recurso para o bem-estar coletivo.
A coordenadora do curso de Psicologia da instituição, Priscila Penna, destacou que o evento se consolidou como espaço de discussão sobre temas urgentes para além da área acadêmica. “Foi um cenário construído para refletir a diversidade, não apenas dentro da Psicologia, mas em sua interface com áreas como direito, medicina, pedagogia e serviço social. Essa troca é fundamental diante dos desafios que a cidade e a sociedade enfrentam”, afirmou.
Na última noite, uma das mesas reuniu profissionais e estudantes para discutir justiça, educação e território, reforçando a necessidade de fortalecer redes de cuidado em Itabira. O psicólogo, docente e mediador da roda de conversa, Arthur Kelles, ressaltou a importância da abordagem coletiva. “Pensamos em como os grupos, como comunidade, podem se preparar para cuidar da cidade agora e no futuro. Também refletimos sobre quais profissionais estamos formando para assumir essa tarefa nos próximos anos”, disse.
O encerramento contou ainda com a psicóloga e escritora Daniela Brunelli, que falou sobre a aproximação entre literatura e Psicologia. Natural de Itabira, a palestrante relacionou sua experiência clínica e literária para propor a escrita como caminho de autoconhecimento e fortalecimento comunitário.
Nos dias anteriores, o seminário contou com uma programação extensa que começou no dia 23, quando foi exibido e debatido o documentário Holocausto Brasileiro, em parceria com o núcleo Átropos, seguido de uma discussão com os professores Maryana Jácome e Jeanyce Araújo sobre o apagamento de quadros de saúde mental. Já na abertura oficial, em 27 de agosto, o professor André Luiz Freitas Dias, da UFMG, ministrou a conferência inaugural, seguida por uma mesa com especialistas do Hospital Nossa Senhora das Dores e da própria Funcesi. A noite também teve palestra da secretária municipal de Assistência Social, Nélia Cunha, que discutiu vínculos comunitários e políticas públicas. Ao longo da quinta-feira (28), as atividades abordaram saúde mental no ambiente de trabalho, o papel das psicoterapias, oficinas culturais e uma mesa com representantes de associações e coletivos locais, que refletiram sobre práticas comunitárias e os desafios sociais de Itabira.
Segundo a organização, a expectativa é de que a experiência sirva como base para a continuidade do seminário nos próximos anos. “A avaliação pós-evento será importante para definir os próximos passos, mas acreditamos que este é apenas o começo de uma jornada de debates que precisam ser permanentes”, concluiu Priscila Penna.




