Imprensa nacional repercute o cancelamento do carnaval em Itabira

Terra de Drummond: a pacata Itabira ficará sem a folia de carnaval neste ano

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Crise faz prefeito cancelar o carnaval na terra de Drummond

Itabira, cidade mineira onde nasceu o poeta Carlos Drummond de Andrade, não terá comemorações no feriado de carnaval. Segundo a prefeitura, a festa teria um gasto muito alto e não seria rentável para a cidade, que sofre com a queda nos preços do minério de ferro por conta da crise econômica mundial
 
Danilo Casaletti

A crise econômica derrubou o bom humor dos mercados e o otimismo de empresários e investidores em todo o mundo. No caso de Itabira, cidade mineira localizada a 100 quilômetros de Belo Horizonte, a festa acabou também para os foliões. Com o aperto no caixa, o prefeito, João Izael Coelho (PR), anunciou que, neste ano, o município, terra do poeta Carlos Drummond de Andrade, não dará recursos para que seja organizado o carnaval de rua.

Segundo a asssessoria de imprensa da prefeitura, o carnaval de Itabira custaria aos cofres públicos cerca de R$ 1, 2 milhão, entre gastos com contratação de bandas para as quatro noites e a segurança das cerca de 25 mil pessoas que eram esperadas para o evento. Em tempos de crise, é uma despesa muito grande para a cidade, até porque Itabira é o berço da Vale e altamente dependente da indústria mineral. Com os preços do minério de ferro em queda histórica, a prefeitura estima que o freio na produção da companhia vai implicar uma redução de R$ 30 milhões na arrecadação. De acordo com dados do IBGE e do governo de Minas Gerais, cerca de 2 mil trabalhadores da região perderam seus empregos desde outubro de 2008.

Apesar do protestos de uma parte da população, o cancelamento do carnaval não trará mais consequências negativas para a economia da cidade, segundo a prefeitura, porque quem ganha com os dias de folia são apenas os ambulantes que ficam próximos aos locais onde acontece a festa. A prefeitura ainda vai cortar verbas de outros dois grandes eventos tradicionais: a Festa Agropecuária e o Festival de Inverno perderão metade da verba pública em relação a 2008.