Indústria mineira sucumbe à crise e retrai 16,4% no mês

A exuberância da indústria nas diferentes regiões brasileiras acabou. Ou pelo menos deu um tempo. Houve queda na produção industrial em 12 das 14 regiões pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em dezembro. Minas Gerais liderou a derrocada, com queda de 16,4%, enquanto a média nacional foi de 12,4%. Minas também teve […]

A exuberância da indústria nas diferentes regiões brasileiras acabou. Ou pelo menos deu um tempo. Houve queda na produção industrial em 12 das 14 regiões pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em dezembro. Minas Gerais liderou a derrocada, com queda de 16,4%, enquanto a média nacional foi de 12,4%. Minas também teve a sequência de 18 trimestres de taxas positivas interrompida.

Na comparação com dezembro de 2007, o recuo em Minas Gerais foi de -27,1%, a menor marca na série histórica nesse tipo de comparação, pressionada pelas quedas na indústria de transformação, extrativa, veículos automotores, metalurgia básica e outros produtos químicos.
"Já esperávamos um desempenho da atividade industrial inferior à média nacional. O nosso parque fabril tem forte predominância do setor automotivo e sua cadeia de fornecedores, da indústria metalúrgica e extrativa mineral, além de outros segmentos mais tradicionais", admite o presidente da Fiemg, Robson Andrade.

O coordenador técnico de sondagem industrial da Fundação Getúlio Vargas, Jorge Ferreira Braga, acrescenta que as perspectivas para os próximos seis meses são bem pessimistas. "Veículo é uma cadeia: quando ela despenca, afeta vários setores, inclusive o relacionado a crédito. Enquanto não houver confiança do empresário, não vai se produzir e nem se investir", prevê.

O presidente do Conselho de Política Econômica e Industrial da Fiemg, Lincoln Gonçalves, reconhece que Minas Gerais terá os piores resultados durante o primeiro trimestre. "O peso da indústria mineira, de 65% do PIB, significa que Minas vai ser tremendamente afetada. Teremos maior risco de desemprego que outros Estados e a queda maior da massa salarial, poder aquisitivo e arrecadação."

O presidente do Sindicato das Indústrias Extrativas de Minas Gerais (Sindiextra) e da Câmara da Indústria Mineral da Fiemg, Fernando Coura, enxerga um momento assustador. "A mineração é base zero de toda cadeia produtiva. O primeiro semestre será muito ruim", diz.

Em nota, o secretário de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, Raphael Guimarães Andrade, salientou que o governo de Minas já está trabalhando para minimizar os impactos da crise, com um conjunto de medidas preventivas. "Elas vão desde crédito subsidiado a pequenas e médias empresas com linhas de crédito especiais do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais até o adiamento do pagamento do ICMS para toda a economia, assim como as medidas específicas para o setor de ferro gusa."

Algumas medidas que Minas já tomou
ICMS
Entre dezembro de 2008 e abril de 2009, as empresas poderão pagar o imposto integral e sem acréscimo até o dia 26 de cada mês; ou pagar 75% no dia 26 e os 25% restantes, corrigidos pela taxa Selic, até o dia 26 do mês subsequente
Transferência de crédito
Ampliação da possibilidade de uso ou transferência de crédito acumulado de ICMS para o pagamento de débito do próprio imposto
Benefícios fiscais
Prorrogação para 2009 dos benefícios fiscais que venceriam em 31 de dezembro de 2008
Micro e pequenas empresas
Estão sendo destinados R$ 20 milhões com o objetivo de aumentar a oferta de crédito, por meio do BDMG. O teto de financiamento para capital de giro dobra
Giro Fácil
Novas modalidades de financiamento para capital de giro