Inflação volta a ganhar força no Brasil e complica planos de corte de juros
O indicador aponta uma inflação mais alta e persistente
Em entrevista ao Times Brasil (Licenciado exclusivo CNBC), a professora de economia do Insper, Juliana Inhasz, afirmou que a aceleração do IPCA-15, prévia da inflação em abril, para 0,89% reflete um cenário de maior persistência dos preços e complica a estratégia de afrouxamento monetário do país.
A professora destaca que, mesmo o índice acenando ligeiramente abaixo do que previam alguns analistas, o movimento é de alerta. “O mercado apostava em valores superiores, mas o indicador aponta uma inflação mais alta e persistente. Isso frustra as expectativas de uma queda mais rápida dos juros e mostra que o trabalho do Banco Central será mais complexo daqui pra frente”.
Juliana ressalta que para a próxima decisão do COPOM “existe espaço para surpresa, inclusive com uma eventual manutenção dos juros. O espaço para quedas maiores fechou, e o comitê deve agir com cautela, com pouca margem para cortes agressivos na taxa Selic, especialmente se entender que os choques inflacionários não são temporários”.
A professora salienta que “a estabilidade do câmbio abaixo de R$ 5,00 é pontual e que não garante tranquilidade a longo prazo, com o dólar em um nível mais amigável favorecendo o controle, mas o câmbio é uma variável volátil. Não podemos confiar apenas nisso para trazer a inflação para a meta; o governo deverá atuar em outras frentes econômicas. Estamos em um momento de transição onde a trajetória de queda da inflação foi interrompida por novos riscos, o que exige uma postura mas conservadora na política monetária para evitar descontrole futuro”.
*Fonte: CNBC




