Insegurança toma conta do aglomerado Drummond

“Têm muitos que estão lá de fachada e aproveitando da situação”

Insegurança toma conta do aglomerado Drummond
A seis dias do cumprimento da ação de reintegração de posse impetrada pela família Rosa, o clima entre os moradores da comunidade Drummond, em Itabira, ainda é de muita incerteza.

O prazo para a saída por conta própria dos moradores do aglomerado se encerra no próximo domingo, 31 de julho. Até a data, as famílias podem retirar todos os seus pertences, porém, já no dia 1º de agosto, a ordem judicial será cumprida, quando mais nada pode ser retirado do local.

De acordo com moradores, o maior entrave para a saída da localidade, é o impasse nos critérios de enquadramento nos programas sociais oferecidos pela Secretaria Municipal de Ação Social. Segundo o autônomo Eduardo, depois do dia 1º de agosto é que seria resolvida a situação dos moradores. “Nesse dia já não se pode tirar nada da casa: janela, porta. O jeito é tirar tudo e ficar lá fora esperando depois desse dia?”, questionou o morador. “Não vou tirar nada, lá onde eu moro eu comprei tudo, não ganhei nada da Prefeitura”, ironizou o autônomo.

A insegurança de Eduardo é a mesma da atendente de mesa Eliane Paixão. Ela conta que sua mãe já mora na comunidade há mais de dez anos e não questiona a retirada dos moradores, porém reclama dos critérios adotados para encaixe nos programas. De acordo com a atendente, algumas famílias que estão lá há muitos anos nunca receberam nada e outras que não precisam foram para lá recentemente e já estão cadastrados entre os beneficiados. “Se tem que sair, beleza! Mas o que tem nos chateado é a divisão, porque não tem um critério correto. Tem muitos que estão lá de fachada e aproveitando da situação”, desabafou, ainda informando que não sabe em qual programa está encaixada.

Já a situação da moradora Rita de Cássia dos Santos, desempregada e mãe de sete filhos, é diferente. Ela compareceu na manhã desta terça-feira, 26 de julho, à Secretaria Municipal de Ação Social para propor a titular da pasta, Maria das Graças de Carvalho Lima, que a direcionasse a um abrigo. Rita entregou sua carta de inserção no Programa Bolsa Moradia (Probom), com a qual receberia um auxílio no valor de R$325. Ela alegou dificuldade de encontrar imóveis com aluguel abaixo do valor do programa. “Estou recusando não é porque eu não quero, é porque estou desempregada e não quero colocar em risco a vida dos meus filhos. O prazo está vencendo, mas ainda tenho esperança”, disse Rita.

A secretária Maria das Graças tem atendido os moradores do aglomerado para saber das condições e se o perfil da família se enquadra em algum dos programas assistencialistas. DeFatoOnline tentou ouvir a titular da pasta de Ação Social, mas foi informado pela Assessoria de Comunicação que ela não vai se pronunciar.