Interrupções da Vale no fornecimento de água somaram o equivalente a 19 dias de desabastecimento em Itabira
Entre janeiro e abril, o Saae registrou 8.068 ordens de serviço, das quais 2.690 estavam relacionadas à falta de água em Itabira

As interrupções no fornecimento de água importada da Vale e as manutenções realizadas pela mineradora provocaram 465 horas de paralisação nos sistemas de abastecimento de Itabira entre janeiro e abril deste ano. O período equivale a 19 dias e 9 horas de interrupções, segundo dados apresentados pelo diretor-presidente do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), Valdeci Luiz Fernandes Júnior, durante a prestação de contas da autarquia na Câmara Municipal.
O levantamento reúne as principais ocorrências que comprometeram a operação dos sistemas responsáveis pelo abastecimento de parte da cidade. Entre as causas estão manutenções programadas, redução da vazão fornecida pela mineradora, problemas operacionais e interrupções no fornecimento de energia elétrica.
A ocorrência mais longa foi registrada no ETA Areão – Poço 02, que permaneceu paralisado por 161 horas, o equivalente a quase sete dias. Em seguida aparecem o ETA Rio de Peixe, com 133 horas de interrupção, o Anel Hidráulico (Chacrinha e Cauê), com 100 horas, e uma segunda ocorrência envolvendo o ETA Rio de Peixe, responsável por outras 71 horas de paralisação.
Embora as interrupções não signifiquem que toda a cidade permaneceu sem água durante esse período, elas afetam diretamente a capacidade de distribuição do sistema e provocam reflexos principalmente nas regiões mais dependentes da água importada da Vale.
Durante a apresentação, Valdeci Fernandes explicou que as manutenções programadas realizadas pela Vale são comunicadas previamente ao Saae, mas, mesmo assim, provocam impactos no abastecimento. Segundo ele, os bairros Santa Ruth, Ribeira de Cima, Praia, Colina da Praia e Fênix são os que mais sofreram nos primeiros quatro meses do ano, quando houve necessidade de interromper o fornecimento de água importada.
O presidente da autarquia explicou que a normalização do abastecimento ocorre de forma gradual, o que prolonga os transtornos para moradores das regiões mais altas. “A retomada desse abastecimento é gradativa. Não é só ligar a bomba que a água chega imediatamente à casa das pessoas. Quem mora nas partes mais altas demora mais para receber água novamente”, explicou.
Falta de água lidera reclamações
Os reflexos das interrupções aparecem também nos números de atendimento do Saae. Entre janeiro e abril, a autarquia registrou 8.068 ordens de serviço, das quais 2.690 estavam relacionadas à falta de água, tornando esse o principal motivo de atendimento no período. Para minimizar os impactos do desabastecimento, o Saae informou ainda que disponibilizou 182 caminhões-pipa aos consumidores afetados.
Apesar das paralisações, Valdeci ressaltou que a Vale cumpriu o compromisso de fornecimento de água estabelecido para o município. Pelo contrato, a mineradora deve entregar 160 litros por segundo, mas, segundo o levantamento apresentado, a média registrada no primeiro quadrimestre foi de 181 litros por segundo, com picos de 207 litros por segundo e mínima de 141 litros por segundo.
Ainda assim, as interrupções nos sistemas demonstram que, mesmo com o volume contratado sendo atendido em média, as paradas operacionais continuam impactando o abastecimento em diversos bairros de Itabira, especialmente aqueles mais vulneráveis à recuperação lenta da rede de distribuição.




