Intervenção artística contra violência obstétrica é realizada em frente à maternidade de Ouro Preto
A intervenção artística foi feita no formato de “lambe” e realizada próximo à maternidade de Ouro Preto em protestos e ações do 8 de março.
Na última terça-feira (08), o ponto de ônibus situado em frente ao hospital Santa Casa de Ouro Preto, que também abriga a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e maternidade referência na região dos Inconfidentes, amanheceu com uma decoração inusitada. Diversas colagens foram realizadas no ponto de ônibus, sendo uma intervenção artística que veio como um protesto contra as alegadas intervenções e violências realizadas na instituição.
A intervenção artística trouxe algumas frases, as quais foram construídas a partir de situações vivenciadas e relatadas por gestantes e parturientes dentro de um contexto da violência obstétrica. Então, foram reformuladas essas de uma maneira empoderada e que demonstrasse não só a violência implícita ali, mas a superação dela.
A forma escolhida veio para comunicar e revelar às pessoas alguns tipos de violência obstétrica que acontecem rotineiramente, não só na cidade de Ouro Preto como em todo o Brasil. Em Minas Gerais acontece, de 08 a 14 de março, a Semana de Combate à Violência Obstétrica, com ações similares para conscientizar a sociedade sobre o tema.
A arte

A imagem que contém uma ilustração traz, também, estampada a frase: “não empurre a minha barriga e nem corte a minha vagina”. A expressão é voltada especificamente para dois tipos de violência obstétrica que são cometidos rotineiramente dentro dos hospitais, uma delas é a manobra de kristeller – uma prática contra indicada tanto pelo Ministério da Saúde quanto pela Organização Mundial da Saúde, que consiste no ato de empurrar a barriga da parturiente para que o bebê nasça mais rápido, e que, contudo pode provocar diversas lesões tanto na mãe quanto na criança.
Já a segunda parte se refere a outro procedimento, a episiotomia, que é o corte no períneo (musculatura que fica entre o ânus e a vagina da mulher). Esta é uma prática que é realizada de forma corriqueira e que não tem comprovação científica de sua necessidade ou eficácia. Não há evidências, inclusive, de que o procedimento traz algum benefício para o parto e, por isso, é considerada por muitos profissionais da saúde como uma mutilação genital.
O que é o lambe
O lambe é um tipo de cartaz de divulgação, seja de um anúncio ou denúncia, feito de uma forma bem simples e rápida. Atualmente não existe uma legislação específica para regimento desse tipo de intervenção, que entra dentro das legislações municipais sobre a intervenção urbana (exemplos dessa legislação são as chamadas “leis da cidade limpa”). Assim, fazer uso do lambe é uma forma legal de espalhar ideias, reflexões, publicidade e manifestos nos lugares em que são permitidos.
O objetivo da intervenção artística
O propósito desse movimento e o desejo por trás dessa intervenção foi de trazer visibilidade para esta causa, especialmente entre a população de Ouro Preto Nana. Existe um sentimento, que não é oculto, entre as mulheres que vivenciam essa experiência de ter tido um parto violento, doloroso e patologizado. E o nome dessa sensação é a violência obstétrica.
Assim, a ação visou trazer à tona esse conhecimento para as mulheres da comunidade, informá-las que elas têm como denunciar esse tipo de situação e levar a informação de uma forma empoderada para as pessoas da comunidade. De modo que as mulheres ouropretanas pudessem saber que, caso tenham sofrido dessa violência, elas podem sim denunciar.
E para aquelas que não tiveram um filho, ou ainda estão gestantes, o ato veio para reiterar que ainda podem ter um parto respeitoso. Em suma, o desejo por trás da intervenção foi de promover reflexão e possibilitar o acesso à informação.
Nós da Defato consultamos a Santa Casa de Ouro Preto sobre a questão e, até o final dessa apuração, não obtivemos resposta. Reiteramos que o espaço continua aberto para eventuais esclarecimentos.




