Israel e Irã trocam acusações após ataques na ONU

Israel e Irã levam a plenário da ONU acusações recíprocas neste domingo após ataques ocorridos no último sábado

Na reunião do Conselho de Segurança da ONU, no domingo (14), Irã e Israel, países envolvidos em atos hostis, trocaram acusações sobre quem estaria ameaçando a paz no Oriente Médio, cada um sugerindo sanções ao inimigo declarado.

Segundo o embaixador de Israel na ONU, Gilad Erdan, “a máscara do Irã caiu, por ser o principal patrocinador global do terrorismo e que expôs sua verdadeira face como desestabilizador da região e do mundo”. A declaração foi dada na reunião de emergência do Conselho de Segurança, convocada após ataque sem precedentes com drones e mísseis contra o estado Judeu.

A ofensiva de sábado (13) foi a primeira de Teerã contra Israel, lançando mais de 300 mísseis e drones, deixando ao menos 12 feridos, segundo o governo israelense.

Erdan cobrou ação do Conselho da ONU e exigiu sanções impostas ao Irã “antes que seja tarde demais”, referindo-se ao mecanismo de “retrocesso”, que permite aos membros do acordo nuclear iraniano de 2015 — abandonado pelos EUA em 2018 — a reimpor sanções internacionais contra Teerã, que foram retiradas em troca de seu compromisso de não realizar atividades nucleares com fins militares.

Já o embaixador adjunto norte-americano, Robert Wood, ressaltou: “Temos uma responsabilidade coletiva como membros do Conselho de Segurança de garantir que o Irã respeite as resoluções do Conselho e cesse suas violações da Carta da ONU”.

Já o embaixador iraniano na ONU, Amir Saeid Iravani, argumentou que seu país “não teve escolha a não ser exercer seu direito à autodefesa, e que agiu em resposta à ofensiva de primeiro de abril contra o consulado de Teerã em Damasco, capital da Síria”, atribuída a Israel.

No ataque morreram sete membros do Exército de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC), incluindo dois generais. Teerã acusou Israel, que não confirmou o ataque.

Para Iravani, o Conselho de Segurança “falhou em seu dever” ao não condenar o ataque de primeiro de abril, esclarecendo que Teerã não deseja uma escalada, mas responderá “a qualquer ameaça ou agressão. O Conselho deve tomar medidas punitivas urgentes para forçar esse regime a interromper esse genocídio contra o povo de Gaza”.

Antônio Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, disse temer uma possível intensificação do conflito na região. “Nem a região nem o mundo podem se permitir mais guerras. O Oriente Médio está à beira do abismo. Os povos da região enfrentam um perigo real de conflito generalizado e devastador. Este é um momento para a desescalada e a distensão. É hora de mostrar a máxima moderação”, afirmou.

Na oportunidade, Guterres voltou a pedir um “imediato cessar-fogo em Gaza e a libertação dos reféns tomados pelo Hamas durante seu ataque a Israel em 7 de outubro”.