Itabira ainda busca o equilíbrio entre prevenção e economia
Desde o início da pandemia, Itabira tem tentado encontrar o equilíbrio entre as medidas de enfrentamento ao vírus e o socorro à economia local
A reportagem seguir foi veiculada na edição 82 do Jornal DeFato Cidades Mineradoras. Assim, esse texto e as informações apresentadas aqui se referem à situação em que o município se encontrava em abril de 2021.
Em março de 2020, quando o novo coronavírus tomou o país, aconteceu o primeiro fechamento do comércio na cidade. A medida perdurou por 38 dias gerando prejuízos para a classe empresarial itabirana. A experiência fez com que os comerciantes temessem novas limitações às suas atividades. Comerciantes e empresários viveram, então, tentativas conturbadas de conciliar a prática comercial com os protocolos sanitários.
“Nós percebemos que foi um fechamento muito desorganizado e sem critérios. Alguns setores fechando desnecessariamente, outros que precisavam de mais atenção e não a tiveram”, afirma Maurício Martins, empresário e presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Itabira (CDL-Itabira).
Com a virada do ano, o temor por um novo fechamento se concretizou. A chegada de 2021 trouxe a pior fase da pandemia em Itabira: disparada de casos e mortes pela doença; colapso do sistema de saúde; e 100% de ocupação dos leitos de enfermaria e Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Itabira estava na onda roxa e o comércio não essencial fechou as portas.
A medida deixou o empresariado descontente. A CDL realizou uma pesquisa que apontou que até 200 empresas podem encerrar as suas atividades na cidade, provocando cerca de 1.200 demissões. O estudo indicou que 71,8% dos comércios itabiranos já demitiram ao menos um funcionário. “Esse fechamento causou um prejuízo muito grande, com pessoas sem salário”, alerta Maurício Martins.
Para Cidinha Lana, empresária e ex-presidente da Associação Comercial, Industrial, de Serviços e Agropecuária de Itabira (Acita), a pandemia teve grandes impactos para as empresas itabiranas, mas também pode ser um momento de oportunidade.
“Ainda não foi possível mensurar o impacto do fechamento do comércio. Sabe-se que houve significativa queda de faturamento na maioria dos segmentos, aumento da inadimplência, demissões, comprometimento da capacidade de pagamento de dívidas. Entretanto, em meio a tantas perdas, assistimos de perto alguns segmentos prosperando como nunca através do delivery e vendas on-line”, destaca Cidinha Lana.
O diálogo com o poder público é apontado pela ex-presidente da Acita como importante na busca desse equilíbrio entre a preservação da saúde e o resgate da economia. “Precisamos estar alinhados para definir planos estratégicos da retomada da economia de uma forma segura. Como consumidores, mudamos nossas preferências e hábitos de consumo. Cabe a cada empresa estudar e identificar como seus clientes estão se comportando e consumindo atualmente”, completa Cidinha Lana.
Agora, a Prefeitura de Itabira decidiu por migrar a cidade para a onda vermelha do Minas Consciente, onde é permitido o funcionamento de diversos segmentos comerciais e empresariais, desde que cumpram os protocolos sanitários. Com a pandemia se estendo por mais de um ano, os empresários de Itabira têm buscado alternativas de venda que permitam arcar com as despesas mensais dos seus negócios.
O empresário do ramo de calçados e vestuário Gustavo Porto tem adotado reduções de despesas, o que também implica em diminuição em seu quadro de profissionais. “Enquanto não começarem a pensar em protocolos de abertura total das empresas de acordo com a realidade atual, não existe ‘luz no fim do túnel’. Pois onde só sai e não entra, a conta não fecha”, destaca Gustavo Porto.
A opinião é compartilhada pelo empresário do setor moveleiro José Augusto Valadares, que tem adotado um sistema de vendas on-line para aumentar o seu faturamento. Outras ações que vem recorrendo são o revezamento e redução de funcionários e a renegociação com fornecedores.
“Enquanto as empresas estiverem fechadas, não há expectativa de melhoras, mas a tendência é só piorar. Precisamos de mais apoio, senão vamos ver várias empresas falidas”, avalia José Augusto.
Para Gil César Lopes, empresário do segmento de móveis e decoração, desde o ano passado a busca é por equilibrar receita e custos. Para isso, precisou reduzir o quadro de funcionários, além de recorrer a auxílios oferecidos pelo Governo Federal. Por outro lado, ele afirma que os investimentos no e-commerce, explorando ferramentas como o site da empresa e o marketplace, têm ajudado a vender no período de restrições ao comércio.
“Tivemos que diminuir custos, precisamos reduzir a equipe, com o corte de mais de 30 funcionários. Há mais de cinco anos investimos no e-commerce e isso nos ajudou a passar por esse momento ruim de lojas fechadas”, completa Gil César.




