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Itabira registra taxa de homicídios acima das médias de Minas Gerais e do Brasil, segundo Atlas de violência

Itabira registra taxa de homicídios acima das médias de Minas Gerais e do Brasil, segundo Atlas de violência

Foto: Divulgação/PCMG

Itabira aparece em uma posição preocupante no Atlas da Violência 2026. O levantamento, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), mostra que o município registrou taxa estimada de 29,7 homicídios por 100 mil habitantes em 2024, índice superior tanto à média de Minas Gerais quanto à nacional.

Os dados indicam que, embora a cidade não esteja entre os municípios mais violentos do país, o cenário local exige atenção. A taxa itabirana ficou cerca de 60% acima da média mineira, de 18,5 homicídios por 100 mil habitantes, e aproximadamente 27% superior à média brasileira, de 23,4 por 100 mil habitantes.

Segundo o estudo, Itabira teve 24 homicídios oficialmente registrados em 2024. No entanto, a metodologia utilizada pelos pesquisadores identifica ainda 11 chamados “homicídios ocultos” — mortes violentas que podem não ter sido inicialmente classificadas como homicídio nos registros oficiais. Com isso, o total estimado para o município chega a 35 assassinatos.

O que os números revelam

A principal preocupação não está apenas na quantidade absoluta de mortes, mas na taxa proporcional em relação à população. Com cerca de 117 mil habitantes, Itabira registrou taxa estimada de 29,7 homicídios por 100 mil habitantes, índice superior ao observado em diversos municípios mineiros de porte semelhante que aparecem no Atlas da Violência 2026.

Entre as cidades mineiras com mais de 100 mil habitantes analisadas pelo estudo, Itabira apresentou taxa superior à de municípios como Pará de Minas (19,6), Conselheiro Lafaiete (9,4), Varginha (9,1), Divinópolis (8,3), Poços de Caldas (7,6) e Lavras (3,6). O índice também ficou acima da média estadual, de 18,5 homicídios por 100 mil habitantes.

O dado sugere que a violência letal continua sendo um desafio para a segurança pública local, mesmo em um município reconhecido pelos indicadores econômicos impulsionados pela mineração e por apresentar índices de desenvolvimento acima da média nacional.

Outro aspecto que chama atenção é o peso dos homicídios ocultos. Em Itabira, eles representam 11 dos 35 homicídios estimados pelo Atlas, o equivalente a cerca de 31% do total. Isso indica a possibilidade de subnotificações ou dificuldades na classificação inicial de algumas ocorrências, fenômeno que tem sido observado em diversas regiões do país.

 

Desafio para reduzir a violência

A taxa de homicídios em Itabira, acima das médias estadual e nacional evidencia desafios que vão além das estatísticas e impactam diretamente a sensação de segurança da população.

Para o advogado criminalista Túlio Moreira, o cenário revelado pelo levantamento reflete uma preocupação crescente com a criminalidade violenta no município. “Ao meu ver, representam um elevado número de crimes violentos que impactam diretamente a percepção de cidade segura para a população itabirana. O principal fator de contribuição do aumento do índice de homicídios é a sensação de impunidade, que faz o criminoso achar que jamais será descoberto ou, se vier a ser preso, não ficará muito tempo encarcerado”, avalia.

Em sua avaliação, o advogado argumenta que a redução dos índices de violência passa necessariamente pelo fortalecimento dos órgãos responsáveis pela investigação criminal, especialmente da Polícia Civil. “Os principais desafios para a redução da criminalidade local passam necessariamente por mais investimentos nos órgãos policiais, especialmente na Polícia Civil, que conta com um significativo déficit de pessoal há muitos anos. Menos policiais investigando os crimes praticados e menos recursos tecnológicos e de inteligência refletem diretamente em investigações arquivadas, que tramitam por muito tempo sem conclusão ou que são insuficientes para gerar alguma punição ao infrator”, afirma.

Comparação regional

Entre os municípios do leste mineiro que aparecem no levantamento, Itabira registrou a maior taxa de homicídios estimados. O município alcançou índice de 29,7 mortes por 100 mil habitantes, acima de Coronel Fabriciano, que registrou taxa de 24,9, e de Ipatinga, com 23,4 homicídios por 100 mil habitantes.

Além disso, o indicador de Itabira também supera o de outras cidades mineiras relevantes, como Sete Lagoas (21,9), Patos de Minas (14,3), Araguari (13,8), Araxá (12,7), Uberaba (12,1) e Uberlândia (11,5), reforçando a posição do município entre os índices mais elevados do estado entre as cidades contempladas pelo estudo.

Os números colocam Itabira acima inclusive da média observada para municípios médios brasileiros. Segundo o Atlas da Violência, cidades desse porte registraram taxa média de 24,1 homicídios por 100 mil habitantes em 2024, evidenciando que a violência letal tem se concentrado cada vez mais em centros urbanos intermediários.

Minas Gerais na contramão

O Atlas da Violência também aponta um movimento preocupante em âmbito estadual. Minas Gerais foi o estado brasileiro que registrou o maior crescimento da taxa de homicídios estimados entre 2023 e 2024, com aumento de 25%.

Embora a taxa mineira permaneça abaixo da média nacional, a tendência de crescimento acende um alerta para gestores públicos e forças de segurança.

Nesse contexto, os números de Itabira ganham ainda mais relevância. O município não apenas acompanha o movimento de alta observado no estado, como apresenta um índice significativamente superior à média mineira.

Para Itabira, os dados do Atlas da Violência funcionam como um termômetro importante da realidade local. O levantamento oferece elementos para avaliar a efetividade das políticas públicas e orientar estratégias que possam reduzir os índices de violência nos próximos anos.

Raio-X de Itabira no Atlas da Violência 2026

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