O atleta itabirano Humberto Vinicius conquistou no último sábado (24), em Brasília, a seletiva brasileira para o Mundial Sub-21 de Taekwondo. Com a vitória, ele garantiu a sua participação no torneio que acontecerá em Nairóbi, capital do Quênia, ainda neste ano. Ao portal De Fato Online, Humberto e seu treinador, Mestre Daú, comentaram sobre a experiência do torneio e a trajetória do mais novo campeão.
“Eu diria que o esporte mudou a minha vida bem antes de eu me tornar um campeão”, afirma Humberto, recordando a sua trajetória pessoal e profissional. Natural de Itabira, ele é aluno da Associação Criança do Amanhã desde 2017 e se preparou por sete anos antes de almejar competições de alto nível, como a seletiva que venceu neste final de semana. “O Taekwondo me formou um homem íntegro, humilde, com auto controle e muito mais que ainda irei de absorver”, declara.
Nas palavras do atleta, a oportunidade de participar de um campeonato mundial é “gratificante e muito satisfatória”. Ele reforça: “Só eu sei o quanto treinei e me dediquei fisicamente e mentalmente para conquistar essa vaga”. Para Humberto, esse sentimento de vitória não tem preço. Em relação aos seus sonhos esportivos, ele é enfático: “Eu almejo ir o mais longe que eu conseguir e deixar o meu nome na história do Taekwondo brasileiro”.
Uma teste de alto nível
Ambos enfatizam o alto nível do torneio, que reuniu os melhores atletas brasileiros dessa faixa etária, todos em busca da única vaga disponível para o mundial. Mestre Daú comenta que, neste nível de competição, as valências técnicas e físicas são tão determinantes quanto a força mental para o sucesso do atleta. “O nível técnico, mental e físico foram fundamentais para ele conseguir a classificação. Foram adversários de estilos diferentes que exigem mudanças de estratégia de cada luta ou round”, destaca o treinador.
“Não é da noite pro dia que formamos um atleta”, explica o mestre. Ele conta que o processo de desenvolvimento pessoal e esportivo de um atleta exige muito tempo. Isso diz respeito à dedicação aos treinamentos técnicos e à participação em “muitas competições para adquirir experiência”. Daú conta que, no início da Seletiva, o da equipe objetivo era que Humberto subisse ao pódio. Contudo, assim que perceberam o potencial mais amplo, o horizonte de expectativas se expandiu.
Contudo, isso não significa que a tarefa tenha sido mais fácil do que imaginavam. “Foi muito difícil porque só o primeiro lugar garante a vaga para mundial numa competição de altíssimo nível. Os melhores atletas do país estavam lá com o mesmo objetivo [chegar ao Mundial”.
Além do Mestre Daú, são eles: o Grão Mestre Martinho, o professor Davi, Samuel, Rodrigo, Manuella, Manuel, o Carlos, João Victor, o Luiz Romen, o Vitor Starley, o Rian, o Miguel, Luiz Miguel e Geovana. Todos eles citados pelo garoto como parte dessa vitória. Além deles, há também a equipe de acompanhamento físico: Amanda Ribeiro (personal trainer) e Beatriz Ribeiro (sua irmã e fisioterapeuta). O acompanhamento psicológico de Humberto é responsabilidade do grupo Comportare. A conquista de Humberto é, portanto, uma vitória coletiva da equipe de profissionais que o acompanham em sua carreira.
Sonhos e aspirações
Humberto confessa que a sua maior referência no esporte é um colega de modalidade, o fluminense Henrique Marques, que representou o Brasil nos Jogos Olímpicos de Paris. “Ele é um exemplo de superação e de filho que honra seus pais. Um exemplo de atleta dedicado e focado”, destaca o jovem. Henrique, o seu ídolo, nasceu e cresceu em Porto das Caixas, na periferia de Itaboraí, município da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
Assim como Henrique, Humberto é um jovem negro que encontrou no esporte uma oportunidade de transformar a sua vida e a de sua família. Na sua opinião, o esporte é uma porta de possibilidades “para provar ao mundo o quanto a pessoa negra é completamente capaz de ser acima da média em qualquer área”. Ele entende que, tornando-se atleta, se aproxima de oportunidades que não são acessíveis aos jovens negros como ele em virtude do racismo da sociedade brasileira.
Contudo, o esporte surge como uma plataforma para a transformação. “Temos múltiplos exemplos de pessoas negras que são referência e que transformaram o mundo do esporte”, enfatiza. E, conclui: “Então, na minha opinião, não há limites para a pessoa negra”.
O projeto Associação Criança do Amanhã
Humberto é aluno da Associação Criança do Amanhã desde 2017, conta o Mestre Daú, que participa do projeto desde 2009. O relato do professor é claro: “Percebemos ele que tinha um talento bem diferente dos demais para ser uma grande promessa para o Taekwondo Itabirano”. A atuação junto às crianças de Itabira é um desafio mais que esportivo. “Além de trabalhar concentração, disciplina e coordenação motora, temos que dar atenção aqueles que sonham em ser lutadores do tatames”. Quando surge um talento como o de Humberto, toda uma comunidade se reúne para colaborar com a sua trajetória.
Contudo, a sua evolução tomou tempo. Foi somente quando alcançou a faixa preta que as lutas e competições se tornaram o grande foco, em perspectiva profissional.
O Campeonato Mundial Sub-21 de Taekwondo acontecerá ainda neste ano, na capital queniana, em data a ser definida.

